08:55 · 22 de setembro de 2026

🔼 US500 em máximos

Os futuros dos índices norte-americanos estão a registar uma das sessões mais fortes dos últimos meses, o que levou o contrato de futuros do S&P 500 (US500) a novos máximos históricos. Esta evolução deveu-se, em grande parte, à queda dos preços do petróleo. A atenção dos investidores está agora a deslocar-se gradualmente para a próxima época de divulgação de resultados, que tem início dentro de cerca de três semanas e em relação à qual os analistas continuam altamente otimistas.

  • Os embarques de crude saudita a partir dos portos do Golfo Pérsico registaram um aumento acentuado durante o fim de semana, enquanto o número de navios no principal porto de exportação do país atingiu o seu nível mais elevado desde junho.
  • Os novos desenvolvimentos no setor da IA estão a reforçar as expectativas de investimento contínuo e de uma procura mais forte de semicondutores. O Índice MSCI All Country World está a subir pela quarta sessão consecutiva, atingindo o seu nível mais elevado em duas semanas.
  • As ações da Samsung e da SK Hynix ampliaram os ganhos na Ásia, enquanto o sentimento do mercado foi adicionalmente apoiado pelas notícias sobre o novo chip de IA da Alibaba, concebido para competir com as soluções da Nvidia, bem como pelo lançamento do mais recente modelo de geração de imagens da Tencent.
  • O petróleo Brent está, no entanto, a tentar quebrar uma série de quatro sessões consecutivas de perdas. O contrato de petróleo registou hoje uma subida superior a 1% e voltou a situar-se acima dos 100 dólares por barril.

As perspetivas de resultados do S&P 500 mantêm-se sólidas para o terceiro trimestre

As expectativas em relação aos resultados do S&P 500 melhoraram significativamente ao longo do terceiro trimestre. O consenso aponta atualmente para um crescimento dos resultados de 28,9% em termos homólogos, acima dos 26,7% previstos no final de junho. Se a estimativa for confirmada, isto marcaria o terceiro trimestre consecutivo de crescimento dos resultados acima dos 25% e o oitavo trimestre consecutivo de crescimento de dois dígitos. Wall Street espera uma época de resultados muito forte, que, caso os resultados excedam as expectativas, poderá tornar-se um importante motor de novos ganhos.

Um desenvolvimento particularmente notável é o facto de os analistas terem revisto em alta as estimativas de lucros em 1,6% durante o trimestre, enquanto, historicamente, as estimativas tendem a ser revistas em baixa durante este período. Nos últimos cinco anos, as expectativas de lucros diminuíram, em média, cerca de 2,2% durante o trimestre, enquanto a descida média na última década se situou em cerca de 2,5%. Ao mesmo tempo, 72 empresas do S&P 500 divulgaram orientações positivas relativas ao lucro por ação (EPS) para o terceiro trimestre, em comparação com 43 empresas que divulgaram orientações negativas, o que também representa um valor sólido em relação às médias históricas.

Prevê-se um crescimento dos lucros em todos os 11 setores do índice, sendo que cinco deverão registar um crescimento de dois dígitos. Espera-se que os setores da Energia, das Tecnologias da Informação, dos Serviços de Comunicação e dos Materiais liderem esta tendência. As previsões de receitas também foram revistas em alta: o mercado espera agora um crescimento das receitas de 11,9% em termos homólogos, em comparação com os 10,9% registados no final de junho. O rácio P/E futuro do S&P 500 situa-se em cerca de 19,1, ligeiramente abaixo da sua média de cinco anos de 19,8 e praticamente em linha com a sua média de 10 anos.

Gráfico do US500 (intervalo D1)

O gráfico dos futuros do S&P 500 continua a favorecer os compradores, com o índice a formar uma sequência de mínimos cada vez mais elevados e a ser negociado perto dos 7 830 pontos, em torno do nível do pico anterior de 17 de junho. Se a tendência de alta se mantiver, o contrato poderá avançar em direção ao primeiro grande nível de resistência psicológica, nos 8 000 pontos. Num cenário de baixa, no entanto, poderá começar a surgir uma formação técnica desfavorável de «duplo topo». Uma importante zona de suporte parece situar-se em torno dos 7 500–7 600 pontos, onde se encontram as reações de preço anteriores e a média móvel EMA50 (linha laranja).

Fonte: xStation5

Henrique Tomé

Analista XTB

Henrique Tomé é analista de mercados financeiros, trader e investidor, com especialização em análise macroeconómica e no impacto desta nas diferentes classes de ativos. As suas análises e perspetivas sobre a evolução económica têm sido destacadas e reconhecidas por meios de referência nacionais e internacionais, incluindo o Financial Times. É formado em Finanças e Contabilidade e possui uma pós-graduação em Mercados Financeiros e Gestão de Risco pela Nova SBE.

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