16:55 · 28 de julho de 2026

Bolsa em Português: Galp é destaque de julho

Símbolo da Galp com céu azul no fundo

A Galp é a ação em destaque deste mês na Bolsa em Português da XTB. A empresa apresentou resultados muito bons no  segundo trimestre de 2026, impulsionados pelo forte desempenho da área de Exploração & Produção, beneficiando da subida do preço do petróleo e de maiores volumes de produção no Brasil.

Os resultados superaram as expectativas do mercado e levaram a empresa a rever em alta as projeções para 2026, aumentando igualmente o dividendo e anunciando um programa de recompra de ações. No entanto, apesar destes fundamentos positivos, a cotação encontra-se sob pressão devido à recente queda dos preços do petróleo.

Assista à análise completa de Henrique Tomé no vídeo abaixo ou continue a leitura para descobrir os principais fatores que impulsionaram os resultados da Galp.

Resultados da Galp no 2.º trimestre de 2026 superam expectativas

A Galp registou um dos melhores trimestres dos últimos anos. Os principais indicadores financeiros evidenciam uma forte melhoria da rentabilidade:

  • Lucro Líquido: 812 milhões de euros, representando um aumento de 44% face ao período homólogo.
  • EBITDA RCA de 1 272 milhões de euros, um aumento de 52% em termos homólogos;
  • EBIT RCA de 1 055 milhões de euros, mais 59% face ao mesmo período do ano anterior;
  • Resultado líquido de 540 milhões de euros, um crescimento de 45%;
  • Fluxo de caixa operacional ajustado de 1 076 milhões de euros (+51%);
  • Fluxo de caixa livre de 544 milhões de euros.

A empresa terminou o trimestre com uma dívida líquida de apenas 1,38 mil milhões de euros, mantendo um rácio Dívida Líquida/EBITDA de apenas 0,40x, refletindo uma estrutura financeira sólida.

Refinação continua a beneficiar de margens elevadas

O segmento Industrial também contribuiu de forma significativa para os resultados.

A refinaria de Sines operou com elevada disponibilidade, permitindo beneficiar das fortes margens de refinação verificadas durante o trimestre. A margem de refinação da Galp aumentou para 16,8 USD por barril equivalente, muito acima dos 6,1 USD registados um ano antes.

Este desempenho permitiu compensar o aumento dos custos logísticos e reforçar a rentabilidade da atividade industrial.

Comercial e Energias Renováveis continuam a ganhar peso

Embora ainda representem uma parcela menor dos resultados do Grupo, as áreas Comercial e de Energias Renováveis continuam a crescer. Entre os principais destaques encontram-se:

  • aumento das vendas de gás natural (+11%);
  • crescimento das vendas de eletricidade (+21%);
  • expansão da capacidade instalada de energias renováveis para 2,3 GW, mais 39% do que há um ano;
  • entrada em funcionamento de novos projetos solares e sistemas de armazenamento por baterias.

Estes segmentos continuam a reforçar a diversificação da Galp e a reduzir gradualmente a dependência do mercado petrolífero.

Galp revê projeções para 2026 em alta

Bomba de gasolina da Galp
Adobe Stock

Na sequência dos resultados, a Galp reviu substancialmente em alta as suas perspetivas para o fecho de 2026, refletindo o forte desempenho semestral e um cenário macroeconómico mais favorável.

Entre as principais alterações destacam-se:

  • EBITDA esperado próximo de 4 mil milhões de euros;
  • Fluxo de caixa operacional previsto em cerca de 3 mil milhões de euros;
  • Aumento do dividendo anual para 0,70 € por ação (+10%);
  • Continuação do programa de recompra de ações no valor de 250 milhões de euros.

Estas revisões refletem sobretudo a melhoria do cenário para o preço do petróleo, margens de refinação mais elevadas e uma maior contribuição das energias renováveis.

Galp reforça a remuneração dos acionistas

A Galp continua também a reforçar a remuneração dos seus acionistas. A empresa propôs um aumento de 10% do dividendo anual para 0,70 € por ação em 2026, refletindo a confiança na geração de resultados e de caixa. A primeira tranche do dividendo, no valor de 0,35 € por ação, deverá ser paga em agosto.

Paralelamente, mantém em execução um programa de recompra de ações (share buyback) no montante total de 250 milhões de euros, uma medida que procura aumentar o retorno para os acionistas e demonstrar confiança na criação de valor a longo prazo.

Acordo entre a Galp e a Moeve passa para o 2º semestre

A Galp afirmou que as discussões com os acionistas da Moeve “continuam a avançar de forma construtiva”, estando agora prevista a assinatura de um eventual acordo durante o segundo semestre de 2026. A operação pretende combinar os negócios de downstream das duas empresas, incluindo as áreas Industrial, Comercial e Midstream.

Caso a operação avance, a Galp poderá reforçar a sua presença no retalho de combustíveis, lubrificantes e soluções de mobilidade, beneficiando de uma maior escala operacional e de potenciais sinergias nas áreas da logística, da distribuição e da marca. A empresa sublinha, contudo, que qualquer acordo terá de criar valor para os acionistas e assentar num modelo financeiro e de governação adequado.

Os principais riscos da Galp para 2026

Apesar dos resultados bastante positivos, existem alguns riscos que poderão influenciar a evolução da empresa.

  1. Preço do petróleo: Grande parte da rentabilidade da Galp continua dependente da evolução do Brent. Quedas significativas do preço do petróleo tendem a reduzir os resultados do segmento de Exploração & Produção.
  2. Margens de refinação: As atuais margens encontram-se em níveis historicamente elevados e poderão normalizar caso a oferta mundial de combustíveis aumente.
  3. Volatilidade geopolítica: Os conflitos no Médio Oriente continuam a influenciar significativamente os mercados energéticos, podendo provocar fortes oscilações tanto nos preços do petróleo como nas margens de refinação.

Análise técnica da Galp (GALP.LS)

Gráfico de ações da GALP.PT
Plataforma de investimentos da XTB

Embora os resultados apresentados pela empresa fossem positivos, as ações acabaram por ser penalizadas pelas fortes quedas registadas nos preços do petróleo na abertura do mercado. Porém, o preço das ações deu sinais de estabilização junto da média móvel de 50 períodos (linha azul) que poderá tornar-se um ponto importante de inversão das quedas.

No caso de continuarmos a assistir a novas pressões de baixa devido às quedas nos preços do petróleo, então a próxima zona de suporte marcada nos 18.29 euros deverá ser acompanhada de perto.

Henrique Tomé

Analista XTB

Henrique Tomé é analista de mercados financeiros, trader e investidor, com especialização em análise macroeconómica e no impacto desta nas diferentes classes de ativos. As suas análises e perspetivas sobre a evolução económica têm sido destacadas e reconhecidas por meios de referência nacionais e internacionais, incluindo o Financial Times.

É formado em Finanças e Contabilidade e possui uma pós-graduação em Mercados Financeiros e Gestão de Risco pela Nova SBE.

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