O Banco do Japão manteve as taxas de juro inalteradas em 0,75%, em linha com as expectativas do mercado, embora a reação do par USDJPY à decisão pareça bastante mista. O governador do Banco do Japão (BoJ), Kazuo Ueda, falou numa conferência de imprensa, explicando as razões por detrás da manutenção da taxa de juro de referência em 0,75% durante a reunião de abril. Os aumentos das taxas de juro continuarão em função da evolução da economia e da inflação, com especial atenção ao impacto da situação no Médio Oriente. O objetivo continua a ser alcançar uma taxa de inflação estável de 2%, embora se preveja que o crescimento económico do Japão abrande em 2026. Os preços mais elevados do petróleo deverão reduzir os lucros das empresas e o rendimento real das famílias, embora a economia venha a ser apoiada por medidas governamentais, tais como subsídios aos combustíveis.
Principais conclusões da conferência do BoJ
A situação no Médio Oriente permanece incerta. A economia do Japão está a recuperar moderadamente, embora sejam visíveis alguns sinais de fraqueza. É provável que o crescimento económico abrande no ano fiscal de 2026 devido à evolução da situação no Médio Oriente. É necessário prestar especial atenção à forma como esta evolução afeta os mercados financeiros, os mercados cambiais, bem como a economia e os preços no Japão. É também necessário monitorizar cuidadosamente o risco de a inflação se desviar significativamente para o lado ascendente, o que poderia ter um impacto negativo na economia. As taxas de juro reais mantêm-se em níveis muito baixos. O BoJ continuará a aumentar as taxas e a ajustar o grau de acomodação monetária em função da atividade económica, dos preços e das condições financeiras. O calendário e o ritmo dos ajustamentos serão avaliados no contexto do impacto dos desenvolvimentos no Médio Oriente e da probabilidade de concretização do cenário de base.
A decisão foi tomada por 6 votos a 3, com Nakagawa, Takata e Tamura a votarem contra, uma vez que propuseram aumentar a taxa para 1%.
Observações dos membros do Conselho
Tamura sugeriu incluir uma declaração de que a inflação subjacente está em linha com a meta, enquanto Takata propôs referir que o IPC já atingiu o nível-alvo. Ambas as propostas foram, em última análise, rejeitadas.
Comentários adicionais
Os preços do petróleo poderão ter um impacto mais forte na inflação do que anteriormente. O Banco necessita de mais tempo para avaliar os efeitos da situação no Médio Oriente. A inflação subjacente situa-se atualmente ligeiramente abaixo dos 2%. É difícil determinar quando ocorrerá o próximo aumento das taxas. A política monetária será conduzida de forma a evitar ficar «atrasada em relação à curva». A decisão de manter as taxas reflete uma menor probabilidade de concretização do cenário de base. A dissidência de três membros do Conselho de Administração destaca a dificuldade de conduzir a política monetária nas condições atuais. Não há necessidade imediata de aumentar as taxas, mas tal poderá tornar-se necessário se os choques de oferta gerarem efeitos secundários. O risco de aumento da inflação poderá ser uma razão para aumentos das taxas, embora não seja a única.
Relatório Trimestral de Perspetivas do BoJ
As taxas de juro reais permanecem muito baixas. Espera-se que a inflação subjacente atinja níveis consistentes com a meta de 2% na segunda metade do ano fiscal de 2026 e em 2027. Os riscos para o crescimento económico tendem para o lado negativo, enquanto os riscos para a inflação tendem para o lado positivo. Prevê-se que o crescimento económico abrande em 2026, mas deverá acelerar moderadamente a partir de 2027. Espera-se que o aumento dos preços do petróleo afete tanto o IPC como os rendimentos.
Previsões do BoJ
IPC subjacente
- 2026: 2,8% (anteriormente 1,9%)
- 2027: 2,3% (anteriormente 2,0%)
- 2028: 2,0%
PIB real
- 2026: 0,5% (anteriormente 1,0%)
- 2027: 0,7% (anteriormente 0,8%)
- 2028: 0,8%
Principais riscos destacados pelo BoJ
O BoJ observou que o aumento dos preços do petróleo poderá agora repercutir-se mais facilmente nos preços dos bens e serviços do que no passado. Existe também o risco de aumentos mais acentuados nos preços dos alimentos, especialmente se os custos mais elevados das matérias-primas se refletirem nos custos de produção. O Banco apontou para a possibilidade de perturbações significativas nas cadeias de abastecimento globais, o que poderia afetar significativamente a atividade produtiva das empresas japonesas.
O relatório abordou também a inteligência artificial. Um forte investimento empresarial em IA poderá apoiar a economia global, mas se não for acompanhado por um crescimento dos lucros, poderá conduzir a pressões de ajustamento nos mercados de ativos. O BoJ salientou ainda que as flutuações cambiais têm agora um impacto maior na inflação do que no passado, enquanto as políticas comerciais implementadas até à data alteraram parcialmente o curso da globalização. As expectativas de inflação a médio e longo prazo estão a aumentar moderadamente.
Gráficos USDJPY (H1, D1)
Fonte: xStation5
Fonte: xStation5
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