11:21 · 30 de setembro de 2026

A Nvidia está sentada sobre uma montanha de dinheiro. Eis porque está a recomprar ações

Logótipo da Nvidia
Principais conclusões
Principais conclusões
  • A Nvidia aumentou em 150 mil milhões de dólares o seu programa de recompra de ações, elevando a autorização total para 235 mil milhões de dólares até ao final do ano financeiro de 2028.
  • A recompra permite à Nvidia devolver parte do capital gerado pelo negócio de chips e infraestrutura para Inteligência Artificial aos acionistas.
  • Ao reduzir o número de ações em circulação, uma recompra pode aumentar o lucro por ação (EPS), desde que o lucro da empresa se mantenha constante.

A Nvidia aumentou em 150 mil milhões de dólares o seu programa de recompra de ações, elevando o montante total autorizado para 235 mil milhões de dólares até ao final do ano financeiro de 2028. Mais do que o valor recorde da operação, a decisão levanta uma questão: porque está uma das empresas mais valiosas do mundo a canalizar tanto capital para comprar as próprias ações?

A Nvidia está a gerar uma quantidade extraordinária de liquidez

Uma recompra desta dimensão reflete a elevada capacidade da Nvidia para gerar liquidez e surge num momento em que a empresa se encontra no epicentro do atual ciclo de investimento em Inteligência Artificial (IA). A Nvidia é um dos principais fornecedores dos chips utilizados no desenvolvimento e treino de grandes modelos de IA a nível global.

Quando uma empresa acumula capital em larga escala, uma das questões que se coloca à administração é como o utilizar: reinvestir no negócio, realizar aquisições ou devolver capital aos acionistas. No caso da Nvidia, a recompra de ações representa uma das formas de devolver parte desse capital aos investidores.

A dimensão do programa também ocorre num contexto em que grandes aquisições podem estar sujeitas a limitações regulatórias relacionadas com a concorrência, reduzindo o espaço para utilizar o capital através de operações de grande escala.

Porque é que a Nvidia está a recomprar as próprias ações?

Fachada do prédio sede da Nvidia
Abhishnek Kumar / Unsplash

Uma recompra de ações consiste na utilização de capital da empresa para adquirir ações próprias no mercado. Ao fazê-lo, a empresa pode reduzir o número de ações em circulação.

Isto pode ter um impacto no lucro por ação (EPS, Earnings Per Share). Se o lucro da empresa se mantiver constante enquanto o número de ações em circulação diminui, o lucro atribuído a cada ação aumenta.

Para os acionistas, a recompra pode, assim, aumentar a sua participação relativa na empresa. No entanto, a recompra não garante, por si só, uma valorização da ação: o desempenho futuro do negócio, os resultados financeiros e as condições de mercado continuam a ser determinantes para o preço das ações.

A decisão de recomprar ações pode também ser interpretada como um sinal de confiança da administração na capacidade futura da empresa para continuar a gerar resultados e liquidez. No entanto, a utilização de capital para recompras deve ser analisada em conjunto com as restantes necessidades de investimento da empresa.

Uma recompra de 235 mil milhões de dólares em perspetiva

A dimensão do programa de recompra ajuda a colocar a escala financeira da Nvidia em perspetiva. Os 235 mil milhões de dólares autorizados equivalem a cerca de 68% do Produto Interno Bruto (PIB) anual de Portugal.

A comparação ilustra a dimensão que algumas das maiores empresas tecnológicas alcançaram na economia global. Uma única empresa focada em hardware e infraestrutura para IA dispõe de capacidade financeira suficiente para autorizar um programa de recompra cujo valor corresponde a uma parcela significativa da produção económica anual de um país.

No entanto, é importante distinguir as duas métricas: os 235 mil milhões de dólares correspondem ao montante total autorizado para recompras ao longo do período definido pela Nvidia, enquanto o PIB mede a produção económica de um país durante um determinado ano.

O que a recompra diz sobre a estratégia da Nvidia?

O programa não obriga a Nvidia a gastar os 235 mil milhões de dólares de uma só vez. Ao estender as recompras até ao final do ano financeiro de 2028, a empresa mantém margem para ajustar o ritmo das operações às condições de mercado e à sua própria capacidade de gerar capital.

A decisão mostra também como a Nvidia está a gerir o capital gerado pelo atual ciclo de investimento em IA. Depois de financiar o crescimento do negócio, a empresa tem outra opção à disposição: devolver parte desse capital aos acionistas através da recompra de ações.

Para os investidores, a principal questão não é apenas a dimensão da recompra, mas também a forma como esta se enquadra na evolução dos resultados da empresa. Uma redução do número de ações em circulação pode contribuir para o crescimento do EPS, mas o efeito sobre o investimento dependerá também da capacidade da Nvidia para manter o crescimento dos lucros, financiar o investimento necessário e continuar a gerar liquidez no futuro.

A recompra representa, assim, uma decisão de alocação de capital de grande dimensão, mas não elimina os riscos associados ao investimento nas ações da Nvidia.

João Cruz

Analista XTB

João Cruz é Analista de Mercados Financeiros na XTB Portugal, onde participa na produção de conteúdos educativos (artigos, vídeos e webinars) dirigidos a investidores de retalho. Possui experiência em trading e na análise de diferentes classes de ativos, com especial foco na análise técnica de índices e ETFs. Colabora com a Rankia na criação de conteúdos financeiros e publica análises de mercado em plataformas como o Investing Portugal. É ainda o criador do projeto From Trader to Trader, que integra um canal de YouTube dedicado à análise técnica de ativos financeiros e um blog com cerca de 400 artigos publicados sobre análise macroeconómica e análise técnica. Encontra-se atualmente em fase de conclusão da licenciatura em Finanças pela Universidade de Aveiro.

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