Poderá a Bielorrússia entrar diretamente na guerra contra a Ucrânia ao lado da Rússia?
Este cenário ainda não é o cenário base, mas também deixou de ser uma fantasia. Para os mercados, significaria um aumento do risco geopolítico, pressão sobre as moedas regionais, um potencial fortalecimento do dólar americano e um retorno de capital para o setor da defesa.
O regresso da ameaça do norte?
O tema da entrada total da Bielorrússia na guerra contra a Ucrânia ao lado da Rússia tem voltado regularmente aos meios de comunicação desde 2022. Foi nessa altura que as últimas unidades russas foram expulsas dos territórios do norte da Ucrânia, após a ofensiva falhada lançada a partir da direção bielorrussa.
Desde então, a Bielorrússia tem apoiado a Rússia de várias formas. Tem fornecido infraestruturas militares, quartéis, hospitais, instalações logísticas e espaço operacional. Tem também participado em atividades de apoio aos ataques russos. Apesar disso, o regime de Minsk tem tentado manter o seu envolvimento abaixo do limiar de uma guerra aberta.
É por isso que novas sugestões de que a Bielorrússia ainda possa entrar no conflito podem causar cansaço. Na prática, porém, o cenário da participação direta de Minsk já não é mera especulação. Tornou-se uma questão a analisar, monitorizar e, potencialmente, a ter em conta.
A questão de quando ocorrerá a escalada
A questão fundamental é: por que razão esperaria o Kremlin mais de quatro anos para que o aliado mais próximo da Rússia entrasse na guerra apenas agora?
Fonte: Bloomberg Finance
A resposta poderá residir no agravamento da situação da Rússia na frente de batalha. Cada vez mais centros de análise indicam que a máquina de guerra russa está a perder fôlego. Em termos líquidos, a Rússia não está a perder território, mas as forças e os recursos disponíveis estão efetivamente a diminuir. O Kremlin poderá chegar à conclusão de que, se a Bielorrússia não entrar na guerra num futuro próximo, poderá nunca vir a fazê-lo.
A mobilização discreta é mais importante do que as armas nucleares
Há cada vez mais indícios de uma mudança lenta, mas consistente, na postura da Bielorrússia. Já no início do ano surgiram relatos de uma mobilização gradual das forças bielorrussas. Desde então, têm vindo a aumentar de escala — embora de uma forma que não atrai grande atenção dos meios de comunicação social.
No contexto de exercícios nucleares envolvendo a Bielorrússia e a Rússia, é necessária uma avaliação serena. As armas nucleares continuam a ser, acima de tudo, um instrumento de pressão retórica. Tais exercícios podem, no entanto, desviar a atenção de elementos mais práticos da escalada: a mobilização de reservas e a expansão de infraestruturas.
Para a NATO, mais importante do que a própria retórica nuclear é saber se Minsk está efetivamente a aumentar a prontidão para operações perto da fronteira ucraniana. De acordo com oficiais militares ucranianos, está em curso uma expansão de infraestruturas direcionada para a Ucrânia.
Este é um sinal mais significativo do que as meras declarações de propaganda.
Os EUA e a pressão diplomática
O interesse pela Bielorrússia está agora a ser demonstrado não só por oficiais militares ucranianos, mas também pelos Estados Unidos. A 21 de maio, o Presidente da Ucrânia advertiu que qualquer tentativa direta da Bielorrússia de se aliar ao lado da Rússia seria recebida com uma resposta devastadora.
As notícias da Bloomberg também são relevantes: segundo estas, os EUA terão alegadamente pedido à Ucrânia que aliviasse as sanções sobre as exportações de fertilizantes bielorrussos. O objetivo seria reduzir a dependência de Minsk em relação à Rússia. Isto demonstra que a questão não se limita ao campo de batalha — envolve igualmente a economia e o comércio.
É frequentemente em momentos como estes que o risco é mal avaliado. O mercado pressupõe que um conflito está a esmorecer parcialmente porque a sua atenção se desvia para outro. Uma escalada envolvendo a Bielorrússia seria, portanto, não apenas um acontecimento militar, mas também um choque narrativo para os investidores.
A Bielorrússia tem capacidade real para atacar?
Apesar do risco crescente, as capacidades práticas da Bielorrússia continuam limitadas. As forças armadas bielorrussas são pequenas e encontram-se num estado de decadência parcial. A Rússia, por sua vez, já não dispõe das reservas que lhe permitiriam guarnecer facilmente mais algumas centenas de quilómetros de fronteira.
O terreno entre a Bielorrússia e a Ucrânia é muito difícil. Florestas densas, pântanos, rios e um número limitado de estradas pavimentadas dificultam significativamente manobras rápidas. Uma das principais rotas atravessa a zona de exclusão de Chernobyl.
Ao longo de anos de guerra, a Ucrânia fortificou fortemente a sua fronteira norte. Uma tentativa de a atravessar poderia terminar em desastre para a Bielorrússia e para os russos. Por conseguinte, a entrada da Bielorrússia na guerra não significaria necessariamente uma ofensiva eficaz.
Para a Rússia, no entanto, uma escalada através da Bielorrússia poderia constituir uma tentativa de forçar concessões políticas, diplomáticas e militares antes de perder a iniciativa ou a capacidade de conduzir uma escalada controlada.
O que significaria isto para o mercado?
Para os mercados financeiros, a entrada direta da Bielorrússia na guerra seria, acima de tudo, um sinal de escalada num conflito que alguns investidores já consideravam parcialmente desescalado ou a caminho do fim.
A reação poderia ser rápida, embora a sua escala dependesse das ações militares efetivas.
Os efeitos mais prováveis são:
- Uma queda nos preços das obrigações na região e um aumento do prémio de risco geopolítico,
- Pressão sobre as moedas da Europa Central e Oriental, incluindo o zloty polaco.
- Um fortalecimento do dólar americano como moeda de «refúgio».
- Uma onda de vendas nos índices bolsistas, especialmente nos locais.
- Um retorno de capital para as empresas do setor da defesa, especialmente aquelas que registaram grandes quedas nos últimos meses.
Baixa probabilidade, alto risco
A entrada da Bielorrússia na guerra ainda não é o cenário base. O risco continua limitado pela fraqueza do exército bielorrusso, pelo terreno difícil, pelas fortificações ucranianas e pelos custos políticos potencialmente muito elevados para o regime de Minsk.
Isso não significa que o tema possa ser ignorado. A Bielorrússia não teria de vencer uma única batalha para alterar o contexto geopolítico e de mercado.
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