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09:42 · 13 de fevereiro de 2026

Um dia dos namorados menos doce para o cacau

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O cacau é uma das matérias-primas agrícolas mais relevantes na economia global, tanto pelo seu peso nas cadeias de valor agroalimentares como pelo seu simbolismo no consumo. No entanto, atualmente, atravessa uma fase de correção após um período de valorização histórica, tendo recuado para mínimos desde outubro de 2023.

Produzido maioritariamente na África Ocidental e transformado sobretudo em mercados desenvolvidos, o cacau liga economias emergentes a padrões de consumo sofisticados. Poucos momentos do ano ilustram melhor essa ligação do que o dia dos namorados, quando o chocolate assume um papel central no consumo sazonal, com impacto económico relevante para fabricantes e retalhistas.

Ainda assim, o pico de procura típico de fevereiro tem-se revelado insuficiente para contrariar a tendência descendente dos preços, num mercado cada vez mais condicionado por fatores estruturais de oferta e procura.

A evolução do preço do cacau: da escassez ao ajustamento

A evolução dos preços do cacau nos últimos anos foi marcada por fortes oscilações. Entre 2023 e o início de 2025, o mercado viveu um período de preços historicamente elevados, impulsionado por preocupações com a oferta, associadas a condições climáticas adversas na África Ocidental, envelhecimento das plantações e constrangimentos logísticos. A combinação destes fatores alimentou receios de défices estruturais e atraiu fluxos especulativos significativos para os mercados de futuros.

No entanto, a partir de maio de 2025, esse cenário começou a inverter-se. As revisões em alta das estimativas de produção, uma melhoria relativa das condições meteorológicas em alguns dos principais países produtores e sinais de ajustamento do lado da procura contribuíram para uma correção prolongada dos preços. Paralelamente, a normalização do ambiente macroeconómico global — com inflação mais controlada e expectativas de política monetária menos restritivas — reduziu o apelo das matérias-primas agrícolas como instrumento de proteção financeira.

O resultado foi um movimento descendente consistente, que levou as cotações negociadas nas bolsas da ICE, em Nova Iorque e Londres, de volta a patamares observados no final de 2023. Este ajustamento não elimina os riscos estruturais do mercado, mas sinaliza uma mudança clara de regime face ao período anterior.

Gráfico Cocoa: 2017 a 2026

Evolução dos preços do cacau 2017-2026
xStation

Sazonalidade vs. fundamentos: o que pesa mais nos preços?

O Dia de São Valentim representa um pico sazonal importante no consumo de chocolate, sobretudo em segmentos premium. Para a indústria transformadora, fevereiro é um mês crítico em termos de vendas e margens. No entanto, do ponto de vista do mercado do cacau enquanto matéria-prima, o impacto direto desta sazonalidade é historicamente limitado.

Os preços do cacau refletem sobretudo expectativas de médio e longo prazo sobre o equilíbrio global entre oferta e procura. Em 2026, com os preços já em trajetória descendente há vários meses, o aumento sazonal da procura associado ao dia dos namorados surge mais como um fator estabilizador do que como um verdadeiro catalisador de recuperação. Em outras palavras, ajuda a limitar quedas adicionais, mas não é suficiente para inverter a tendência.

Para os investidores, este contexto traduz-se numa leitura mais cautelosa. O tradicional argumento de que o consumo festivo poderia apoiar os preços perde força quando o mercado está focado em fatores estruturais, como níveis de stocks, ritmo de moagem de cacau e perspetivas de colheita para as próximas épocas.

Comportamento dos investidores

A correção dos preços desde maio de 2025 levou a uma redução visível do posicionamento especulativo nos mercados de futuros. Muitos investidores financeiros, que haviam acumulado posições longas durante o período de escassez percebida, optaram por realizar lucros ou reduzir exposição à medida que o risco de défices extremos diminuiu.

Neste contexto, fevereiro tende a ser marcado por maior sensibilidade a dados fundamentais, como relatórios de grindings e atualizações sobre condições climáticas na África Ocidental. Ainda assim, o efeito São Valentim atua mais ao nível das expectativas de curto prazo do que como um motor fundamental de preços.

Para empresas do setor alimentar, a queda dos preços representa um alívio relativo nos custos de produção, embora a volatilidade continue a justificar estratégias de cobertura prudentes.

O que pode mover o cacau nos próximos meses?

Grãos de cacau ao lado de barra de chocolate em fundo branco
Tetiana Bykovets / Unsplash

Olhando em frente, o mercado do cacau parece entrar numa fase de maior equilíbrio, mas longe de estar isento de riscos. A tendência de consumo sustentável, com maior exigência por cacau certificado e rastreável, pode limitar a oferta efetiva e pressionar custos. Ao mesmo tempo, as alterações climáticas continuam a representar uma ameaça latente à estabilidade da produção.

Assim, embora os preços estejam atualmente em níveis comparáveis aos de finais de 2023, a probabilidade de um regresso rápido aos mínimos históricos parece reduzida. As principais bolsas de matérias-primas deverão continuar a refletir um mercado sensível a choques exógenos, mesmo num cenário de correção prolongada.

Conclusão

O dia dos namorados continua a ser um símbolo poderoso do consumo de chocolate, mas o seu impacto no mercado do cacau é cada vez mais marginal face às forças estruturais que moldam os preços.

A queda das cotações desde maio de 2025 mostra que, mesmo num mês associado ao romance e ao consumo, o mercado responde sobretudo a fundamentos globais. Para os investidores, a lição é clara: no cacau, o amor pode ajudar a suavizar movimentos, mas raramente é suficiente para mudar a tendência.

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