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14:20 · 23 de março de 2026

🔴 Inflação regressa em 2026?

Homem de mãos abertas, com notas em euros sobre elas
Principais conclusões
Principais conclusões
  • Análise Semanal com Henrique Tomé, analista de mercados da XTB.

A escalada do conflito no Irão aumentou os riscos de inflação para os bancos centrais em todo o mundo. Hoje, não se trata de saber se a inflação vai subir, mas sim em que medida e por quanto tempo. Assista à análise de Henrique Tomé e saiba mais sobre o impacto da guerra entre EUA e Israel e o Irão na inflação.

A guerra no Médio Oriente acende os receios de inflação

Os preços da energia continuam a alimentar receios de novas pressões nos preços, sobretudo na Europa, mais dependente das importações de petróleo e gás.

A Reserva Federal (Fed) e o Banco Central Europeu (BCE) já ajustaram as suas previsões: 2,7% nos EUA (+0,2 pp) e 3,5% na zona euro (+0,9 pp), assumindo um cenário de 120 dólares por barril de petróleo. Ambos os bancos esperam um pico de curto prazo, mas qualquer nova escalada da guerra no Irão poderá gerar consequências não lineares para os mercados.

Enquanto os EUA beneficiam do estatuto de exportador líquido de energia, o que confere maior resiliência, a Europa enfrenta o risco de uma renovada pressão salarial significativa e de um cenário recessivo.

Uma repetição da década de 1970?

Durante os choques petrolíferos da década de 1970, os preços da energia dispararam, provocando uma inflação persistente que não regressou aos níveis anteriores por vários anos.

O principal argumento dos membros do Fed é que, atualmente, embora a situação não seja idêntica, existe o risco de uma “dupla onda de inflação”: um aumento agressivo dos preços seguido de pressões salariais significativas, que poderia amplificar os efeitos do choque energético. 

Uma dupla onda de inflação representa um cenário «não linear», ou seja, novos ajustamentos agressivos dos preços após o choque e um regresso de pressões salariais significativas.
Bloomberg Finance LP

EUR/USD: poderá o euro atingir a paridade?

Apesar das crescentes expetativas de políticas monetárias mais restritivas a nível mundial, os riscos estruturais na zona euro podem pressionar o EUR/USD para novas quedas.

Historicamente, o par EUR/USD está diretamente ligado à evolução da inflação e aos choques de energia. A valorização do dólar em períodos de risco e a maior exposição da Europa aos preços do petróleo e do gás aumentam a vulnerabilidade do euro.

A natureza de curto prazo do conflito tende a ser rapidamente incorporada na cotação do EUR/USD, mantendo a taxa na faixa de 1,14–1,16. Porém, um prolongamento do conflito e danos adicionais às infraestruturas de GNL podem criar riscos estagflacionistas, pressionando o euro para a paridade. Em termos práticos, isto significa que qualquer aumento persistente nos preços da energia europeia afeta não só a inflação mas também a competitividade da zona euro no comércio global.

O alargamento do diferencial de rendimentos em 2022 não conduziu a uma recuperação da taxa de câmbio EUR/USD em 2022.
Bloomberg Finance LP

O que os bancos centrais estão a dizer?

A semana de decisões dos bancos centrais já ficou para trás, tendo decorrido sob a sombra do conflito no Golfo Pérsico. Os bancos centrais parecem adotar uma postura mais restritiva, principalmente nos preços de mercado, enquanto os seus comentários continuam mais cautelosos e partem do princípio de que se trata de um aumento temporário dos preços.

Fed – Hawkish, mas temporário

O Fed manteve a taxa de juro superior em 3,75%, conforme esperado, com cortes previstos para 2026-2027, apesar do choque petrolífero. As projeções ajustaram-se para inflação mais alta (mas ainda abaixo de 3%) e crescimento económico ligeiramente superior, mantendo a trajetória de desinflação até 2028. Powell referiu que o risco de aumentos adicionais de taxas existe, mas classificou o choque energético como pontual.

BCE – Inflação dispara, crescimento permanece fraco

O BCE manteve a taxa de depósito em 2%, apontando para inflação acelerada e crescimento económico mais lento. Cenários de perturbações prolongadas no abastecimento energético poderiam levar a uma inflação ainda superior à prevista. O Banco reafirmou o compromisso com a meta de inflação, mas o mercado antecipa até três aumentos de taxas para conter pressões adicionais.

BoE – Mercados aguardam cortes rápidos nas taxas

O Banco de Inglaterra manteve a taxa de referência em 3,75%. A surpreendente unanimidade em manter as taxas sugere um endurecimento da política monetária, refletido no aumento das taxas de rendibilidade das obrigações do Estado a dois anos — a maior subida desde 2022.

Impacto no consumidor final

Um aumento da inflação afeta diretamente o poder de compra das famílias. Produtos essenciais, como energia, alimentos e transportes, podem tornar-se mais caros, reduzindo a capacidade de consumo. Para os investidores, a inflação mais elevada aumenta a volatilidade nos mercados financeiros e pressiona os rendimentos reais de poupanças e obrigações, tornando os ativos ligados à inflação mais atrativos.

Nos próximos meses, os consumidores devem acompanhar atentamente os desdobramentos da guerra no Médio Oriente, o preço do petróleo e gás, e as decisões de política monetária. A evolução destas variáveis determinará se a inflação permanecerá temporária ou se se instalará de forma mais persistente, afetando não apenas o custo de vida, mas também a estabilidade financeira global.

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