13:43 · 23 de junho de 2026

⬇️US100 recua mais de 2,6%

Principais conclusões
Principais conclusões
  • As ações de inteligência artificial estão sob pressão, levando o Nasdaq 100 a cair mais de 2,6% e os semicondutores a liderarem as perdas globais.
  • Micron, Intel, AMD e Qualcomm lideram as perdas nos EUA, enquanto ASML, Infineon, Samsung e SK Hynix também registam fortes quedas na Europa e na Ásia.
  • A perspetiva de taxas de juro mais elevadas nos EUA e as avaliações ainda exigentes das tecnológicas estão a colocar pressão adicional sobre as ações de crescimento.
  • Apesar da correção, o rácio P/E do Nasdaq 100 continua acima das médias históricas.

Nos últimos meses, o discurso tem sido simples: a inteligência artificial é o motor do crescimento e as empresas que investem milhares de milhões em infraestruturas de IA são as vencedoras garantidas da próxima década. Os gigantes tecnológicos têm vindo a competir para anunciar orçamentos de investimento cada vez maiores, os fabricantes de chips têm batido recordes e as valorizações têm vindo a subir sem ter em conta os fundamentos. 

Ações de IA sob pressão após mudança no sentimento dos investidores

Um dos fatores que tem influenciado estas quedas, foi o comportamento das ações da SpaceX na segunda-feira (-17%), que, pouco depois da sua oferta pública inicial (IPO) de grande visibilidade, procurou novo financiamento – um sinal de que mesmo as empresas mais cobiçadas da «nova era» precisam de liquidez mais cedo do que o mercado esperava.

Hoje, a SpaceX está a recuperar ligeiramente, em cerca de 1%, mas o resto do setor está a receber uma dura lição.

Fabricantes de chips lideram as quedas nos Estados Unidos, Europa e Ásia

Os fabricantes de chips estão no centro da onda de vendas:

Na Europa, a Infineon registou uma queda de 6,6%, a ASML de 6% e a STMicroelectronics de mais de 7%.

Na Ásia, o impacto tem sido devastador — o KOSPI caiu 10%, na sua maior queda num único dia desde março, arrastado pela Samsung e pela SK Hynix, ambas com quedas de 12%.

Fed mais agressiva e subida das yields agravam correção tecnológica

Os fatores macroeconómicos estão a alimentar ativamente a onda de vendas. A Reserva Federal, sob a liderança do seu novo presidente, Kevin Warsh, está a sinalizar uma postura restritiva em relação à inflação, e os mercados já estão a precificar um aumento das taxas de juro de 50 pontos base até ao final do ano.

As taxas de rendibilidade dos títulos do Tesouro a 2 anos dispararam para máximos de 16 meses (~4,19%), o dólar fortaleceu-se para máximos anuais (USDIDX acima de 101) e o ouro registou uma queda de 1,5%, para ~4 127 dólares.

O petróleo Brent caiu para abaixo dos 76 dólares por barril – em circunstâncias normais, isto seria um sinal positivo para as ações, mas hoje ninguém está a comemorar, uma vez que a atenção está centrada exclusivamente no impacto que as taxas de juro mais elevadas terão nas valorizações das ações de crescimento.

Avaliações do Nasdaq 100 continuam elevadas apesar da correção

Desempenho do Nadsaq e métricas de avaliação do índice

O Nasdaq 100 está atualmente a ser negociado com um rácio P/E (TTM) de cerca de 35,3x – este valor continua muito acima das médias históricas, embora esteja muito longe do pico de 39–40x registado em maio deste ano, quando a euforia em torno da IA estava no auge.

Por outras palavras: as valorizações estão elevadas, mas ainda não atingiram níveis que, por si só, indiquem que «a bolha está a rebentar», pelo contrário, com as taxas de rendibilidade das obrigações em alta, qualquer oscilação na narrativa da IA está a pôr à prova, de forma dolorosa, o prémio que o mercado tem pago pelos gigantes tecnológicos nos últimos meses. Fonte: XTB

Desempenho dos vários mercados esta terça-feira
xStation5

Henrique Tomé

Analista XTB

Henrique Tomé é analista de mercados financeiros, trader e investidor, com especialização em análise macroeconómica e no impacto desta nas diferentes classes de ativos. As suas análises e perspetivas sobre a evolução económica têm sido destacadas e reconhecidas por meios de referência nacionais e internacionais, incluindo o Financial Times.

É formado em Finanças e Contabilidade e possui uma pós-graduação em Mercados Financeiros e Gestão de Risco pela Nova SBE.

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