11:31 · 24 de fevereiro de 2026

4 anos de guerra na Ucrânia: impacto nos mercados financeiros, energia e matérias-primas

Max Kukurudziak / Unsplash

Assinalam-se hoje quatro anos desde o início da guerra na Ucrânia. Em 2022, o conflito desencadeou um dos maiores choques nos mercados financeiros das últimas décadas, com impacto direto nos preços da energia, dos bens alimentares e dos metais industriais.

O choque inicial deu lugar a normalização parcial, mas o risco geopolítico permanece nos preços:

  • O petróleo Brent ultrapassou os 130 dólares em 2022 após o início do conflito
  • O gás natural europeu (TTF) superou os 300€ /MWh no pico da crise energética
  • A inflação na Zona Euro atingiu mais de 10% em 2022
  • A dependência energética da Europa face à Rússia foi significativamente reduzida desde então
  • Metais e ouro registaram elevada volatilidade ao longo do período

Evolução dos principais ativos desde o início da guerra 

Evolução dos principais ativos desde o início da guerra (fevereiro de 2022 vs fevereiro de 2026)
Tabela gerada por IA

Energia: do choque histórico à estabilização relativa

No momento inicial da invasão, o mercado incorporou o risco de interrupção no fornecimento russo, um dos maiores exportadores globais de petróleo e gás.

O Brent ultrapassou os 130 dólares por barril em março de 2022, enquanto o gás natural europeu (TTF) superou os 300€/MWh no verão deste ano. Quatro anos depois, os preços encontram-se substancialmente abaixo dos máximos históricos.

Como a Europa redesenhou o mapa energético

A Europa reduziu drasticamente a dependência do gás russo, substituindo parte significativa das importações por gás natural liquefeito proveniente dos Estados Unidos e do Médio Oriente. Apesar da correção, o prémio de risco geopolítico continua presente nos mercados energéticos.

Matérias-primas agrícolas: inflação alimentar e cadeias logísticas

Campo de trigo com céu com nuvens ao fundo
Polina Rytova / Unsplash

A Rússia e a Ucrânia representavam cerca de 30% das exportações globais de trigo antes da guerra. Em 2022, os preços agrícolas dispararam, contribuindo para a aceleração da inflação alimentar global.

Com a reabertura parcial de corredores de exportação no Mar Negro e o ajustamento das cadeias logísticas, os preços corrigiram ao longo de 2023 e 2024, embora permaneçam mais voláteis do que no período pré-conflito.

Metais Industriais e Ouro: volatilidade e diversificação

O mercado do níquel registou movimentos extremos em 2022, levando à suspensão temporária de negociações na London Metal Exchange. O episódio evidenciou a vulnerabilidade das cadeias globais de fornecimento.

O Ouro beneficiou do aumento da incerteza geopolítica e da inflação, reforçando o seu papel como ativo de refúgio. Nos últimos anos, bancos centrais aumentaram as reservas de Ouro como forma de diversificação.

Impacto Macroeconómico: infação, BCE, Fed

O choque energético contribuiu para que a inflação na Zona Euro ultrapassasse os 10% em 2022, levando o Banco Central Europeu (BCE) e a Reserva Federal Americana (FED) a iniciar um ciclo agressivo de subida das taxas de juros diretoras. O conflito, inicialmente geopolítico, teve assim efeitos prolongados no enquadramento macroeconómico global.

Perspetivas para os mercados financeiros em 2026

Apesar da normalização parcial dos preços das matérias-primas face aos máximos registados em 2022, o risco geopolítico permanece um fator estrutural na formação dos preços da energia e de alguns metais.

A guerra continua e não há, para já, sinais claros de que esteja próxima do fim. Além disso, a eclosão de um novo conflito entre os EUA e o Irão está novamente a pressionar os preços das matérias energéticas.

Para os investidores, este período evidenciou a importância da diversificação e da monitorização do risco geopolítico como variável relevante na avaliação dos ativos.

Gráfico dos futuros de matérias-primas

Gráfico dos futuros de matérias-primas
TradingView
Gráfico dos futuros de várias matérias-primas: Brent (Linha Laranja), Gás Natural Dutch (Linha Azul Escuro), Ouro (Linha Verde), Trigo (Linha Vermelha), Níquel (Linha Azul Clara)

João Cruz

Analista XTB

João Cruz é Analista de Mercados Financeiros na XTB Portugal, onde participa na produção de conteúdos educativos (artigos, vídeos e webinars) dirigidos a investidores de retalho. Possui experiência em trading e na análise de diferentes classes de ativos, com especial foco na análise técnica de índices e ETFs.

Colabora com a Rankia na criação de conteúdos financeiros e publica análises de mercado em plataformas como o Investing Portugal. É ainda o criador do projeto From Trader to Trader, que integra um canal de YouTube dedicado à análise técnica de ativos financeiros e um blog com cerca de 400 artigos publicados sobre análise macroeconómica e análise técnica.

Encontra-se atualmente em fase de conclusão da licenciatura em Finanças pela Universidade de Aveiro.

Mais sobre o analista 
3 de julho de 2026, 19:27

Resumo diário: EUA celebram o Dia da Independência, a Europa recupera

3 de julho de 2026, 19:13

Três mercados a acompanhar na próxima semana: Petróleo, US100, NZDUSD (03.07.2026)

3 de julho de 2026, 07:53

Destaques da manhã (03.07.2026)

2 de julho de 2026, 19:13

Resumo do dia: Ouro dispara 2%, IA e Nasdaq100 com quedas fortes

Este material é uma comunicação de marketing na aceção do artigo 24.º, n.º 3, da Diretiva 2014/65 / UE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 15 de maio de 2014, sobre os mercados de instrumentos financeiros e que altera a Diretiva 2002/92 / CE e Diretiva 2011/61/ UE (MiFID II). A comunicação de marketing não é uma recomendação de investimento ou informação que recomenda ou sugere uma estratégia de investimento na aceção do Regulamento (UE) n.º 596/2014 do Parlamento Europeu e do Conselho de 16 de abril de 2014 sobre o abuso de mercado (regulamentação do abuso de mercado) e revogação da Diretiva 2003/6 / CE do Parlamento Europeu e do Conselho e das Diretivas da Comissão 2003/124 / CE, 2003/125 / CE e 2004/72 / CE e do Regulamento Delegado da Comissão (UE ) 2016/958 de 9 de março de 2016 que completa o Regulamento (UE) n.º 596/2014 do Parlamento Europeu e do Conselho no que diz respeito às normas técnicas regulamentares para as disposições técnicas para a apresentação objetiva de recomendações de investimento, ou outras informações, recomendação ou sugestão de uma estratégia de investimento e para a divulgação de interesses particulares ou indicações de conflitos de interesse ou qualquer outro conselho, incluindo na área de consultoria de investimento, nos termos do Código dos Valores Mobiliários, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 486/99, de 13 de Novembro. A comunicação de marketing é elaborada com a máxima diligência, objetividade, apresenta os factos do conhecimento do autor na data da preparação e é desprovida de quaisquer elementos de avaliação. A comunicação de marketing é elaborada sem considerar as necessidades do cliente, a sua situação financeira individual e não apresenta qualquer estratégia de investimento de forma alguma. A comunicação de marketing não constitui uma oferta ou oferta de venda, subscrição, convite de compra, publicidade ou promoção de qualquer instrumento financeiro. A XTB, S.A. - Sucursal em Portugal não se responsabiliza por quaisquer ações ou omissões do cliente, em particular pela aquisição ou alienação de instrumentos financeiros. A XTB não aceitará a responsabilidade por qualquer perda ou dano, incluindo, sem limitação, qualquer perda que possa surgir direta ou indiretamente realizada com base nas informações contidas na presente comunicação comercial. Caso o comunicado de marketing contenha informações sobre quaisquer resultados relativos aos instrumentos financeiros nela indicados, estes não constituem qualquer garantia ou previsão de resultados futuros. O desempenho passado não é necessariamente indicativo de resultados futuros, e qualquer pessoa que atue com base nesta informação fá-lo inteiramente por sua conta e risco.