Um stock split divide as ações existentes em mais ações, reduzindo o preço unitário na mesma proporção, sem alterar o valor total do investimento nem a percentagem da empresa que cada acionista detém. Descubra como funciona, com os exemplos da Nvidia e da Apple.
Um stock split divide as ações existentes em mais ações, reduzindo o preço unitário na mesma proporção, sem alterar o valor total do investimento nem a percentagem da empresa que cada acionista detém. Descubra como funciona, com os exemplos da Nvidia e da Apple.
Se acompanha os mercados financeiros, já deve ter dado de caras com a expressão “stock split”, sobretudo depois de casos mediáticos como os da Nvidia e da Apple, que dividiram as suas ações nos últimos anos.
No entanto, o que significa, na prática, esta operação e o que muda realmente para quem já é acionista?
Na XTB, a plataforma onde pode investir, poupar e negociar num único local, explicamos este conceito de forma simples, para que saiba exatamente o que esperar sempre que uma ação da sua carteira passar por esta operação.
O que é um stock split?
Um stock split (também chamado “desdobramento de ações” ou “divisão de ações”, em Português) é uma operação corporativa através da qual uma empresa aumenta o número de ações em circulação, dividindo cada ação existente num determinado número de ações novas.
Em simultâneo, o preço de cada ação é reduzido na mesma proporção, pelo que o valor total da empresa e o do investimento de cada acionista permanecem inalterados.
A própria Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) reconhece esta operação nos seus materiais de literacia financeira destinados a investidores, descrevendo-a como um dos eventos societários que podem afetar a negociação de uma ação, ao lado de operações como aumentos de capital.
Um stock split não é mais do que dividir o “bolo” em fatias mais pequenas: continua a ter o mesmo bolo (o mesmo valor investido e a mesma percentagem da empresa), mas cada fatia (cada ação) fica mais pequena e, por isso, mais barata.
Eis os rácios mais comuns:
- 2 para 1: cada ação é dividida em duas e o preço reduz-se para metade;
- 3 para 1 ou 3 para 2: cada ação transforma-se em três (ou em 1,5), com a respetiva redução de preço;
- 10 para 1: cada ação passa a valer um décimo do valor anterior, mas o acionista passa a ter dez vezes mais ações.
Como funciona um stock split na prática
Para perceber como funciona um stock split, é mais fácil olhar para números concretos.
Imagine uma empresa fictícia com as seguintes características antes da operação:
- 1000 ações em circulação;
- Capitalização bolsista de 1.000.000 €;
- Preço por ação: 1000 € (1.000.000 € ÷ 1000 ações).
Se a administração decidir avançar com um stock split de 5 para 1, o número de ações em circulação passa para 5000. Como a capitalização bolsista da empresa não se altera com este tipo de operação, o novo preço por ação passa a ser de 200 € (1.000.000 € ÷ 5000 ações).
Em síntese:
Antes do split
- Ações em circulação: 1000;
- Preço por ação: 1000 €;
- Capitalização bolsista: 1.000.000 €;
- Ações de um investidor com 1000 € investidos: 1 ação;
- Valor total do investimento: 1000 €.
Depois do split (5:1)
- Ações em circulação: 5000;
- Preço por ação: 200 €;
- Capitalização bolsista: 1.000.000 €;
- Ações de um investidor com 1000 € investidos: 5 ações;
- Valor total do investimento: 1000 €.
Note que o acionista que tinha 1 ação passa a ter 5, mas o valor total do seu investimento mantém-se exatamente igual.
Quanto à transação, não tem nada a fazer da sua parte, uma vez que a atribuição das novas ações é feita automaticamente pela sua corretora de eleição na data definida pela empresa.
Qual é o impacto de um stock split no preço de uma ação?
O impacto de um stock split no preço de uma ação é imediato e mecânico, dado que o preço nominal de cada ação desce na proporção exata do rácio escolhido.
No entanto, é importante separar dois efeitos distintos:
- O efeito contabilístico, que é neutro: o valor de mercado da empresa (capitalização bolsista) mantém-se inalterado no momento da operação, tal como a percentagem da empresa que cada acionista detém;
- O efeito psicológico e de mercado, que pode não ser neutro: ao ficar mais barata em termos nominais, a ação pode tornar-se mais acessível a um número maior de investidores de retalho, o que por vezes se traduz num aumento da liquidez e, nalguns casos, num otimismo adicional em torno do título nos dias seguintes ao anúncio.
Vale a pena sublinhar que este segundo efeito não é garantido. Segundo uma análise do Bank of America (BofA), noticiada pela Investing.com a propósito do stock split da Nvidia em 2024, cerca de 30% das empresas que realizam um stock split registam retornos negativos nos 12 meses seguintes ao anúncio, com quedas médias superiores a 20%.
Isto significa que um stock split pode gerar entusiasmo a curto prazo, mas não é, por si só, um indicador do desempenho futuro da empresa.
Porque é que as empresas fazem stock splits?
Se o valor da empresa não muda, porque é que tantas organizações cotadas, da Nvidia à Apple, passando pela Amazon, Google ou Tesla, decidem avançar com esta operação?
As razões mais habituais são as seguintes:
- Tornar as ações mais acessíveis: quando o preço de uma ação atinge centenas ou milhares de dólares/euros, comprar uma única unidade pode representar uma barreira de entrada para investidores com carteiras mais reduzidas;
- Aumentar a liquidez: com mais ações em circulação a preços mais baixos, tende a haver mais transações diárias, o que geralmente reduz o spread entre compra e venda;
- Facilitar a inclusão em índices ponderados pelo preço: índices como o Dow Jones Industrial Average são ponderados pelo preço nominal das ações que os compõem, por isso, um preço muito elevado pode distorcer o peso de uma única empresa no índice;
- Enviar um sinal de confiança ao mercado: uma empresa costuma justificar um stock split após uma valorização significativa da sua cotação, o que é frequentemente interpretado pelo mercado como um sinal de solidez do negócio, embora, como vimos, isto não seja uma garantia de continuidade dessa tendência.
Exemplos reais: os stock splits da Nvidia e da Apple
Nada ilustra melhor este mecanismo do que casos reais e recentes.
Dois dos exemplos mais discutidos nos últimos anos são precisamente os stock splits da Nvidia e da Apple, duas das maiores empresas de tecnologia do mundo, cujas ações pode negociar diretamente na plataforma da XTB.
O stock split da Nvidia
Em maio de 2024, a par da divulgação dos seus resultados trimestrais, a Nvidia anunciou um stock split de 10 para 1.
Segundo a cobertura da CNBC, a ação fechou essa sessão nos 949,50 USD, o que significava que, após a divisão, cada ação passaria a valer, na teoria, cerca de 95 USD, tornando a Nvidia mais acessível a investidores de retalho que, até então, precisavam de desembolsar quase mil dólares para comprarem uma única ação.
A empresa justificou a operação precisamente com o objetivo de tornar a titularidade das ações “mais acessível a colaboradores e investidores”.
Este não foi um caso isolado na história da Nvidia, uma vez que já havia realizado divisões semelhantes em 2000, 2001, 2006, 2007 e 2021, sempre na sequência de períodos de forte valorização da cotação.
O stock split da Apple
A Apple é outro exemplo clássico. De acordo com a própria página de perguntas frequentes para investidores, a empresa já realizou cinco stock splits desde que entrou em bolsa: em 1987, 2000 e 2005 (todos na proporção de 2 para 1), em 2014 (7 para 1) e, mais recentemente, em agosto de 2020 (4 para 1).
O split de 2014 é particularmente conhecido por ter sido amplamente associado à entrada da Apple no índice Dow Jones Industrial Average, que, tal como referido acima, é ponderado pelo preço nominal das ações (um preço demasiado elevado poderia distorcer o peso da Apple nesse índice).
Já o split de 2020 surgiu após uma valorização acentuada da cotação, aproximando o preço da ação de níveis mais familiares para os investidores de retalho.
Em nenhum dos dois casos a operação alterou os fundamentos do negócio da Apple. A empresa continuou a valer exatamente o mesmo antes e depois de cada divisão; o que mudou foi apenas o número de ações em circulação e o preço nominal de cada uma.
Reverse stock split: o reverso da divisão de ações
Se um stock split multiplica o número de ações e reduz o preço, o reverse stock split, também conhecido em Portugal como “reagrupamento de ações”, faz exatamente o contrário: reduz o número de ações em circulação e aumenta o preço unitário na mesma proporção, mantendo, uma vez mais, o valor total do investimento e a capitalização bolsista da empresa inalterados.
Por exemplo, se detém 100 ações de uma empresa cotadas a 1 € cada (100 € de investimento total) e a empresa realiza um reagrupamento de 1 para 10, passará a ter 10 ações cotadas a 10 € cada, mantendo os mesmos 100 € investidos.
As razões para um reverse stock split são geralmente bastante diferentes das de um stock split tradicional:
- Evitar a exclusão de uma bolsa de valores, dado que muitas destas exigem um preço mínimo por ação para que um título continue a ser negociado nesse mercado;
- Melhorar a perceção do título junto de investidores institucionais que por vezes têm políticas internas que os impedem de investir em ações com preços muito baixos (as chamadas "penny stocks");
- Reduzir a volatilidade percentual excessiva associada a títulos de preço muito reduzido, em que pequenas variações absolutas de preço correspondem a oscilações percentuais muito grandes.
Ao contrário do stock split, que costuma surgir associado a boas notícias e a uma valorização prévia da cotação, o reverse stock split é frequentemente encarado pelo mercado com maior ceticismo, uma vez que tende a ocorrer em empresas cuja cotação sofreu quedas acentuadas.
Isto não significa, no entanto, que todo o reagrupamento de ações seja um sinal negativo: em alguns casos, trata-se apenas de uma questão técnica ou regulatória.
As vantagens e os riscos de um stock split para o investidor
Antes de olhar para um stock split como uma boa ou má notícia, vale a pena ponderar os dois lados da operação.
Potenciais vantagens
- Maior acessibilidade para diversificar o portfólio, sobretudo para quem investe montantes mais modestos;
- Possível aumento da liquidez do título, com spreads de compra e venda potencialmente mais reduzidos;
- Maior facilidade em ajustar posições com precisão, já que cada ação passa a “pesar” menos no valor total investido.
Riscos e pontos de atenção
- O valor fundamental da empresa não muda. Um stock split não torna, por si só, uma empresa mais valiosa ou mais barata em termos relativos;
- O entusiasmo a curto prazo em torno do anúncio pode não traduzir-se num desempenho sustentado, como mostram os dados do BofA supramencionados;
- Investir apenas com base no anúncio de um stock split, sem analisar os fundamentos da empresa, pode expor o investidor a decisões pouco informadas.
O que muda (e o que não muda) para os acionistas
Resumindo o essencial deste artigo, eis o que efetivamente muda e o que permanece igual para quem já é acionista de uma empresa que anuncia um stock split:
O que muda
- O número de ações que detém (aumenta na proporção do split);
- O preço nominal de cada ação (diminui na mesma proporção);
- Eventualmente, a liquidez e o número de investidores capazes de negociar o título.
O que não muda
- O valor total do seu investimento na empresa;
- A percentagem da empresa que efetivamente detém;
- Os seus direitos como acionista, incluindo o direito a dividendos, que também são ajustados proporcionalmente, para que o valor total recebido se mantenha equivalente;
- Os fundamentos do negócio (receitas, lucros, dívida ou estratégia da empresa) mantêm-se exatamente iguais antes e depois da operação.
E os CFD sobre ações? O que acontece num stock split
Se estiver a negociar CFD sobre ações em vez de deter as ações a título definitivo, um stock split também é refletido na sua posição, ou seja, o número de unidades e o preço de referência são ajustados proporcionalmente pelo distribuidor, de modo a manter inalterado o valor da sua exposição no momento do ajuste.
Ainda assim, é importante ter presente que negociar CFD implica riscos adicionais associados ao efeito de alavancagem, que não se aplicam a quem detém as ações diretamente.
Como acompanhar ações sujeitas a um stock split na XTB
Na XTB, pode acompanhar e negociar diretamente ações e ETF de empresas como a Nvidia ou a Apple, sem ter de se preocupar com a mecânica de um eventual stock split: qualquer ajuste no número de ações e no preço de referência é processado automaticamente na sua conta, na data definida pela empresa emitente.
Para acompanhar de perto uma ação que anuncia (ou que possa vir a anunciar) um stock split, a plataforma xStation 5 da XTB disponibiliza gráficos com ferramentas de análise técnica e um calendário económico atualizado em tempo real para, por exemplo, não perder a data de divulgação de resultados, um dos momentos em que este tipo de anúncio costuma surgir.
A plataforma inclui ainda um feed de notícias de mercado atualizado diariamente e um separador de análise de mercado, que mostra a percentagem de clientes da XTB posicionados a favor ou contra cada instrumento, como contexto adicional à sua própria análise.
Se procura aprofundar outros temas relacionados, pode ainda consultar os nossos artigos sobre como investir em ações com pouco dinheiro, sobre rendimentos passivos através de dividendos ou sobre como declarar mais-valias e dividendos no IRS em Portugal.
Para quem está a começar, o guia sobre como investir e negociar ações explica os conceitos essenciais antes de dar os primeiros passos.
Mais ações, o mesmo investimento
Um stock split é, no fundo, uma operação de “cosmética financeira” que divide o número de ações e reduz o preço unitário na mesma proporção, sem alterar o valor da empresa nem a fatia que cada acionista detém.
Casos como os splits da Nvidia e da Apple mostram como esta ferramenta é frequentemente utilizada por grandes empresas tecnológicas para tornarem as suas ações mais acessíveis a um público mais amplo de investidores, mas, tal como qualquer evento corporativo, deve ser interpretada com sentido crítico e nunca como garantia de valorização futura.
Quer esteja a analisar uma empresa que acabou de anunciar um stock split ou apenas a estudar o funcionamento dos mercados, o mais importante é continuar a avaliar os fundamentos do negócio em vez de reagir apenas ao número que aparece no ecrã.
FAQ
Um stock split (desdobramento de ações ou divisão de ações, em Português) é uma operação em que uma empresa divide cada uma das suas ações existentes em várias ações novas, reduzindo o preço de cada uma na mesma proporção. O valor total da empresa e o do investimento de cada acionista não se alteram; apenas o número de ações e o seu preço nominal mudam.
Não. Ainda que passe a ter mais ações, o valor total do seu investimento mantém-se exatamente igual no momento da operação. Um stock split não altera os fundamentos da empresa nem garante qualquer valorização futura da cotação.
Um stock split aumenta o número de ações em circulação e reduz o preço unitário. Um reverse stock split (ou reagrupamento de ações) faz o inverso: reduz o número de ações e aumenta o preço unitário na mesma proporção. Em ambos os casos, o valor total do investimento e a capitalização bolsista da empresa mantêm-se inalterados.
A Nvidia realizou um stock split de 10 para 1 em junho de 2024, depois de a ação ter fechado nos 949,50 USD, tornando o título mais acessível aos investidores de retalho. A Apple já realizou cinco stock splits desde que entrou em bolsa, sendo os mais recentes um split de 7 para 1 em 2014 e outro de 4 para 1 em 2020.
Um stock split não altera o valor total dos dividendos que recebe nem o valor da sua posição; tanto o número de ações como o valor do dividendo por ação são ajustados proporcionalmente de forma automática pela sua corretora, na data definida pela empresa que realiza a operação.
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