O PSI (conhecido como “PSI-20” até 2022) é o principal índice da bolsa portuguesa e reúne as melhores ações para investir em Portugal. Descubra as empresas, os setores e os critérios de desempenho que o constituem com o guia da XTB.
O PSI (conhecido como “PSI-20” até 2022) é o principal índice da bolsa portuguesa e reúne as melhores ações para investir em Portugal. Descubra as empresas, os setores e os critérios de desempenho que o constituem com o guia da XTB.
Se está a dar os primeiros passos no mundo do investimento ou se já tem experiência, mas deseja aprofundar o seu conhecimento sobre o mercado nacional, perceber o que é o PSI é um ponto de partida essencial.
Este índice representa o coração da bolsa portuguesa e reúne algumas das melhores ações para investir em Portugal através de empresas que são, em muitos casos, nomes do quotidiano dos portugueses.
Na XTB, plataforma de referência para investir, poupar e negociar, acreditamos que uma decisão de investimento mais informada começa sempre pelo conhecimento dos mercados em que se opera.
Este artigo é um guia completo sobre o índice PSI, as empresas que o compõem, os critérios de seleção, os setores predominantes e os fatores que influenciam a sua evolução.
O que é o índice PSI e como funciona a bolsa portuguesa?
O “PSI” (acrónimo de “Portuguese Stock Index”) é o principal índice de referência do mercado acionista português.
Gerido e calculado pela Euronext Lisboa, a bolsa de valores nacional, o índice foi criado a 31 de dezembro de 1992 (com um valor base de 3000 pontos) e tornou-se o barómetro mais utilizado para avaliar a saúde financeira das maiores empresas cotadas em Portugal.
De notar que, apesar de a designação “PSI-20” ser ainda amplamente utilizada, importa esclarecer que, em março de 2022, a Euronext Lisboa procedeu a uma atualização da metodologia e eliminou o numeral “20” a título oficial.
O índice passou simplesmente a chamar-se “PSI”, refletindo o facto de o número de constituintes ter deixado de ser fixo, passando a variar consoante as empresas que cumpram os critérios de elegibilidade definidos. Atualmente, o índice é composto por cerca de 16 empresas.
Como é calculado o PSI?
O PSI é um índice ponderado por capitalização bolsista ajustada pelo free float; significa isto que cada empresa tem um peso proporcional ao valor de mercado das suas ações efetivamente disponíveis para negociação, ou seja, excluindo participações detidas de forma estável por acionistas de referência e que não são transacionadas no mercado.
O peso de cada empresa do índice está sujeito a um limite máximo de 20% nas datas de revisão, de modo a evitar uma concentração excessiva num único título.
A fórmula de cálculo baseia-se na seguinte lógica simplificada:
- Calcula-se a capitalização de free float de cada empresa constituinte;
- Somam-se os produtos ponderados de cada componente;
- Divide-se o resultado por um fator de normalização constante ao longo do tempo.
Horário de funcionamento da Euronext Lisboa
A Euronext Lisboa funciona de segunda a sexta-feira, com uma sessão principal das 08h00 às 16h30 (fuso horário do Continente). Existe ainda uma sessão de pré-abertura das 06h15 às 08h00 e uma breve sessão de fecho entre as 16h30 e às 16h35.
As revisões do índice
A composição do PSI é revista anualmente, em março, com possibilidade de revisões trimestrais adicionais sempre que se justifique (por exemplo, em caso de fusões, aquisições, saídas de bolsa ou variações significativas de liquidez de uma das constituintes).
A Euronext pode também invocar a regra de “Fast Entry” para admitir uma empresa recém-cotada que, logo após a sua Oferta Pública Inicial (Initial Public Offering – IPO), apresente umas capitalização e liquidez superiores às de algum membro já existente.
Quais são as empresas do PSI e que papel desempenham na economia nacional?
As empresas do PSI são, na sua maioria, nomes que os portugueses reconhecem do seu quotidiano, seja na fatura de eletricidade, no banco em que guardam as suas poupanças, no supermercado em que fazem as compras ou nas cartas que recebem em casa.
A tabela infra apresenta os dez maiores constituintes do índice, de acordo com os dados da fact sheet oficial da Euronext de setembro de 2025, com base na sua ponderação:
| Empresa | Sigla/Acrónimo | Setor ICB (Industry Classification Benchmark) | Peso no Índice |
|---|---|---|---|
| EDP Renováveis | EDPR | Serviços Públicos (Utilities) | 13,88% |
| EDP – Energias de Portugal | EDP | Serviços Públicos (Utilities) | 13,32% |
| Banco Comercial Português | BCP | Banca (Finance) | 13,31% |
| Jerónimo Martins | JMT | Comércio a Retalho (Retail Trade) | 10,74% |
| Galp Energia | GALP | Energia (Energy) | 10,65% |
| REN – Redes Energéticas Nacionais | RENE | Serviços Públicos (Utilities) | 7,55% |
| Sonae | SON | Tecnologia (Technology) | 7,20% |
| The Navigator Company | NVG | Materiais Básicos (Basic Materials) | 4,69% |
| CTT – Correios de Portugal | CTT | Bens e Serviços Industriais (Industrial Goods & Services) | 4,24% |
| NOS | NOS | Telecomunicações (Telecommunications) | 4,04% |
Fonte: Euronext, PSI Index Factsheet, 30 de setembro de 2025
Estas dez empresas representam, em conjunto, cerca de 90% do peso total do índice, uma concentração que tem implicações diretas na forma como o PSI reage a notícias setoriais ou corporativas específicas.
Para além destas, o índice inclui ainda constituintes como a Corticeira Amorim, a Mota-Engil, a Semapa e a Altri, que completam a representação dos setores industriais e de construção no mercado português.
O que torna este universo particularmente relevante para o investidor é a diversidade de perfis de risco e de exposição geográfica que coexistem no mesmo índice:
- Empresas com receitas maioritariamente reguladas e estáveis (como a REN);
- Grupos com forte presença em mercados emergentes (como a Mota-Engil);
- Negócios de retalho com exposição à dinâmica do consumo na Europa Central (como a Jerónimo Martins).
O papel destas empresas na economia portuguesa
A relevância destas empresas vai muito além do mercado de capitais. Eis alguns exemplos:
- A EDP e a EDP Renováveis são protagonistas da transição energética em Portugal e no mundo, com operações em mais de uma dezena de países. Juntas, representam mais de 27% do peso total do índice, o que sublinha a importância do setor energético na bolsa portuguesa;
- O BCP é o maior banco privado nacional, com uma rede extensa em Portugal e presença em mercados como a Polónia e Moçambique. Em 2025, as suas ações registaram uma das maiores valorizações do índice, com uma subida superior a 90%, segundo dados do Jornal Económico;
- A Jerónimo Martins opera o Pingo Doce em Portugal e a Biedronka na Polónia, sendo esta última uma das maiores cadeias de supermercados da Europa Central. Trata-se de um bom exemplo de como uma empresa de origem portuguesa pode ter uma pegada internacional significativa;
- A Galp é uma das maiores empresas energéticas ibéricas, com atividade na refinação, exploração de petróleo e gás e, cada vez mais, nas energias renováveis;
- A REN gere as redes de transporte de eletricidade e de gás natural em Portugal, sendo uma empresa de utilidade pública com receitas reguladas e um perfil de dividendos estável.
Os critérios de entrada e saída das empresas cotadas na bolsa de Lisboa
Nem todas as empresas cotadas na Euronext Lisboa fazem parte do PSI. Para integrar o índice, uma empresa tem de cumprir critérios específicos, definidos pela Euronext na sua metodologia oficial.
Critérios de elegibilidade
Os principais requisitos para a inclusão no PSI são:
- Capitalização bolsista de free float mínima de 1000 milhões de euros: este limiar foi introduzido com a reforma de 2022 e garantiu que só as empresas com uma dimensão relevante e liquidez suficiente integram o índice;
- Liquidez adequada: medida pelo volume de negociação das ações em mercado. O índice privilegia os títulos mais ativamente transacionados, de modo a garantir que seja facilmente replicável por fundos e produtos estruturados;
- Cotação na Euronext Lisboa: apenas as ações transacionadas no mercado regulamentado português são elegíveis.
Critérios de exclusão
Uma empresa pode sair do PSI em diferentes circunstâncias:
- Revisão anual: se, na data da revisão de março, a empresa já não cumprir os critérios de capitalização ou liquidez, é removida do índice;
- Eventos extraordinários: situações como fusões, aquisições, saídas voluntárias de bolsa ou suspensões de negociação podem provocar saídas fora do calendário habitual. Nestes casos, a Euronext seleciona a empresa mais bem posicionada na lista de elegíveis para preencher a vaga imediatamente;
- Insuficiência de free float: se a fração das ações disponíveis para negociação cair abaixo do mínimo exigido, a empresa perde o direito de fazer parte do índice.
A transformação do PSI ao longo do tempo
A história do índice é marcada por uma progressiva redução no número de constituintes. Durante anos, o “PSI-20” contou com menos de 20 empresas (chegando a ter apenas 15, em determinados momentos), o que tornava a sua designação enganadora.
Em 2022, a Euronext decidiu formalizar esta realidade, eliminando o número da denominação e tornando o índice mais representativo da liquidez real do mercado português.
À época, o analista da XTB Henrique Tomé considerou que a mudança fazia sentido, uma vez que “há mais de sete anos que o PSI-20 não conta com 20 empresas cotadas no índice e muitas das cotadas no índice apresentam desempenhos francamente modestos”.
A reforma foi interpretada como um passo para tornar o índice mais eficiente e mais alinhado com os padrões dos restantes índices europeus da Euronext.
Os setores predominantes das empresas do PSI
Uma das características mais marcantes do PSI é a sua elevada concentração setorial. Ao contrário de índices como o S&P 500 (Estados Unidos) ou o DAX (Alemanha), que apresentam uma distribuição mais equilibrada entre setores como tecnologia, saúde, energia e indústria, o PSI é dominado por um número relativamente reduzido de áreas de atividade.
1. Energia e serviços públicos
Os setores energético e dos serviços públicos são, de longe, os mais representados no índice.
Com a EDP Renováveis, a EDP e a REN juntas, este segmento representa cerca de 35% do peso total do índice, o que significa que quaisquer oscilações nos preços da eletricidade, nas políticas de transição energética ou nas tarifas reguladas têm um impacto desproporcional no desempenho global do PSI.
Portugal detém uma posição relevante no contexto europeu das energias renováveis, com uma das maiores quotas de produção hídrica e eólica da Zona Euro, o que se reflete diretamente na composição do índice.
2. Banca e serviços financeiros
O BCP é, atualmente, o único representante da banca no PSI, mas o seu peso superior a 13% faz com que o setor financeiro continue a ser um dos pilares do índice.
O desempenho do BCP é influenciado pela evolução das taxas de juro do Banco Central Europeu (BCE), pela qualidade da carteira de crédito e pela dinâmica dos mercados onde está presente, nomeadamente Portugal e Polónia.
3. Retalho e consumo
A Jerónimo Martins é o principal representante do setor do retalho no PSI. Com mais de 10% de peso no índice, esta empresa é um barómetro interessante da conjuntura económica europeia, sobretudo da evolução do consumo privado na Polónia, onde a sua cadeia Biedronka gera a maior parte das receitas.
4. Energia fóssil e transição energética
A Galp ocupa uma posição de destaque no PSI com cerca de 10,65% de peso. Historicamente associada à refinação e à comercialização de combustíveis, a empresa tem vindo a reposicionar-se estrategicamente na direção das energias renováveis e do lítio, o que torna o seu perfil de negócio cada vez mais diversificado.
5. Papel e pasta de celulose
A Navigator Company, a Altri e a Semapa representam o setor industrial da pasta de papel e da silvicultura, uma área em que Portugal detém uma posição de relevo a nível mundial. Estas empresas são sensíveis à evolução dos preços internacionais da celulose e à procura global de papel.
6. Telecomunicações, tecnologia e outros setores
A NOS (telecomunicações), a Sonae (retalho especializado e tecnologia) e os CTT (logística e serviços postais) completam o universo setorial do PSI, representando segmentos de serviços ao consumidor com relevância na economia nacional.
Que fatores influenciam o desempenho do PSI?
O valor do PSI não sobe nem desce aleatoriamente; o comportamento do índice é moldado por uma multiplicidade de fatores, que podem ser agrupados em três grandes categorias:
- Macroeconómicos e soberanos;
- De mercado e fluxos de capital;
- Microeconómicos e setoriais.
Conhecê-los em profundidade é essencial para quem acompanha as ações de empresas portuguesas e pretende interpretar os movimentos do índice com maior rigor.
Fatores macroeconómicos e soberanos
1. Política monetária do BCE
As decisões do BCE sobre as taxas de juro diretoras são, provavelmente, o fator externo com maior impacto transversal no PSI. O mecanismo de transmissão opera em várias direções em simultâneo:
- Setor bancário: as taxas mais elevadas alargam as margens de intermediação financeira dos bancos, beneficiando diretamente os resultados e, consequentemente, as cotações;
- Serviços públicos e empresas reguladas: empresas como a EDP, a EDP Renováveis e a REN (cujos ativos têm uma vida útil longa e cujos fluxos de caixa futuros são descontados a taxas de mercado) tendem a desvalorizar em ciclos de subida de taxas, porque o custo do seu endividamento aumenta e o valor presente dos seus fluxos futuros diminui;
- Avaliação geral do mercado: num ciclo de descida de taxas (como o que o BCE iniciou em 2024 e prolongou em 2025), a atratividade relativa das ações face às obrigações aumenta, gerando fluxos de capital para os mercados acionistas.
2. Rating de crédito soberano de Portugal
O rating atribuído pelas agências internacionais à dívida pública portuguesa é um sinal de confiança que afeta diretamente o custo de financiamento do Estado e das empresas e, por extensão, as avaliações das cotadas no PSI.
Em 2025, Portugal beneficiou de uma sequência de upgrades relevante:
- Standard & Poor’s (S&P): subiu de A- para A em fevereiro de 2025 e voltou a elevar o rating para A+ “com perspetiva positiva” em agosto de 2025;
- Fitch: elevou o rating soberano de A- para A “com perspetiva estável” em setembro de 2025, citando a redução da dívida pública como uma das maiores registadas entre os países que avalia;
- Moody’s: confirmou o rating A3 “com perspetiva estável” em maio de 2025, projetando um excedente orçamental médio de 0,3% do PIB para o biénio 2025-2026.
Estas melhorias reduzem o prémio de risco exigido pelos investidores internacionais, tornam o financiamento das empresas cotadas mais barato e sinalizam a sustentabilidade da trajetória fiscal do país, um elemento que, historicamente, tem fortes reflexos no sentimento do mercado bolsista.
3. Spread das obrigações do Tesouro face ao Bund alemão
O diferencial de yield entre as obrigações do Tesouro português a 10 anos (OT) e o equivalente alemão (Bund) é um dos indicadores de risco-país mais acompanhados pelos investidores internacionais.
Um spread elevado sinaliza desconfiança nas finanças públicas portuguesas e tende a pressionar as cotações das empresas mais endividadas ou mais dependentes do mercado doméstico, enquanto um spread em compressão (como o que se tem verificado em Portugal) reflete uma melhoria da perceção de risco e atrai fluxos de capital para a bolsa.
Em janeiro de 2025, numa emissão sindicada de obrigações a 10 anos, Portugal fixou a yield em 3,08%, com um prémio de apenas 55 pontos base acima da taxa mid-swap do euro a 10 anos, um valor que, comparado com os spreads de crise (que chegaram a superar os 1000 pontos base em 2012), ilustra a transformação do perfil de risco do país.
4. Conjuntura macroeconómica em Portugal e na Europa
O crescimento do PIB português, a taxa de desemprego, a inflação e o consumo privado afetam diretamente os resultados das empresas nacionais cotadas.
Para 2026, os gestores de ativos antecipam um crescimento português acima da média europeia, sustentado por uma taxa de desemprego reduzida, um rácio dívida/PIB em declínio, uma inflação controlada próxima dos 2%, o aumento do salário mínimo e o investimento público via fundos do «Plano de Recuperação e Resiliência» (PRR).
Fatores de mercado e fluxos de capital
5. Fluxos de capital institucional e efeito de dimensão
Por ser um mercado de menor dimensão (com uma capitalização total de cerca de 14,87 mil milhões de euros em setembro de 2025, segundo a Euronext), o PSI é estruturalmente mais sensível a entradas e saídas de capital institucional do que os índices europeus de grande capitalização.
Um único fundo de dimensão relevante que decida aumentar ou reduzir a sua exposição a Portugal pode amplificar significativamente os movimentos das cotações, tanto para cima como para baixo. Este efeito é particularmente pronunciado nos títulos de menor liquidez dentro do próprio índice.
6. Fluxos de produtos indexados e ETFs
À medida que os ETFs e outros produtos de gestão passiva crescem em popularidade, os índices como o PSI passam a ser mais influenciados pelos fluxos agregados de capital para estes instrumentos do que pelas decisões individuais de cada investidor sobre cada ação.
Quando um ETF europeu de grande dimensão reequilibra a sua exposição a Portugal (por exemplo, em resposta a uma revisão do peso do país num índice mais amplo, como o MSCI Europe), esse movimento pode traduzir-se em ordens de compra ou venda simultâneas sobre todas as constituintes do PSI, independentemente dos fundamentais individuais de cada empresa.
7. Sazonalidade e épocas de resultados
O calendário de publicação de resultados das empresas cotadas cria padrões de volatilidade recorrentes ao longo do ano.
As duas épocas mais ativas concentram-se em fevereiro/março (resultados anuais) e em julho/agosto (resultados semestrais).
Fora destas janelas, os resultados trimestrais de empresas individuais como a Jerónimo Martins ou a EDP podem provocar movimentos bruscos nas cotações e, dada a concentração do índice, afetar o valor do PSI de forma desproporcionada.
Para além das épocas de resultados, a sazonalidade dos dividendos também deixa marcas visíveis nos gráficos: nas datas ex-dividendo das principais constituintes (que tendem a concentrar-se entre abril e junho), o índice regista ajustes automáticos de valor que podem iludir análises superficiais do desempenho.
Fatores microeconómicos e setoriais
8. Resultados empresariais e política de dividendos
Com um dividend yield próximo dos 4,99% em setembro de 2025, de acordo com a fact sheet da Euronext, o PSI é um índice particularmente apreciado por investidores orientados para o rendimento.
As decisões das empresas constituintes sobre a distribuição de dividendos (o valor pago, a sua sustentabilidade e a política futura anunciada) têm um impacto direto e imediato nas cotações.
Uma revisão em baixa dos dividendos, mesmo que acompanhada de bons resultados operacionais, pode ser penalizada pelo mercado se contrariar as expectativas dos investidores.
9. Preços das matérias-primas e energia
Dado o peso combinado do setor energético no índice, a evolução dos preços internacionais do petróleo, do gás natural e da eletricidade tem uma influência significativa no desempenho do PSI.
Este fator opera em sentidos opostos consoante a empresa: uma subida dos preços do petróleo beneficia a Galp enquanto produtora, mas pode pressionar os custos das empresas industriais como a Navigator ou a Altri, que consomem energia em larga escala no processo produtivo.
10. Exposição cambial agregada do índice
Uma das características menos evidentes do PSI (mas muito relevante para a interpretação dos seus movimentos) é a exposição cambial indireta que resulta da internacionalização das suas constituintes. Diversas empresas geram receitas significativas em moedas fora da Zona Euro:
A Jerónimo Martins, no złoty polaco (PLN), diretamente influenciada pela dinâmica económica da Polónia e pela política monetária do banco central polaco;
A Mota-Engil, em moedas africanas e latino-americanas, com todos os riscos de desvalorização associados;
A Galp, parcialmente em dólares americanos, dado que as suas transações de petróleo e gás são maioritariamente denominadas nessa moeda.
Uma valorização do euro face ao dólar ou ao złoty, por exemplo, pode reduzir os resultados consolidados dessas empresas em euros, mesmo que os negócios subjacentes estejam a correr bem (um efeito que se reflete nas cotações e, por conseguinte, no PSI).
11. Decisões regulatórias e tarifárias
Dado o peso dos serviços públicos (EDP, EDP Renováveis, REN) e da banca (BCP) no índice, as decisões dos reguladores setoriais têm um impacto direto e por vezes imediato nas cotações. Entre os fatores regulatórios mais relevantes a acompanhar, encontram-se:
As tarifas de acesso às redes de gás e eletricidade, definidas pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), que determinam diretamente as receitas da REN e influenciam os custos operacionais da EDP;
As políticas de incentivo às renováveis (p. ex., subsídios, leilões de capacidade e metas nacionais de descarbonização), que moldam o plano de investimento e a rentabilidade esperada da EDP Renováveis;
Os requisitos de capital bancário definidos pelo Banco de Portugal (BdP) e pelo Mecanismo Único de Supervisão (MUS) europeu, que determinam a capacidade do BCP de distribuir capital e expandir a carteira de crédito;
As alterações fiscais que afetem especificamente os setores mais representados no índice, como um imposto sobre lucros extraordinários das energéticas, taxas sobre ativos bancários ou alterações na tributação de dividendos.
12. Contexto geopolítico global
Eventos como tensões comerciais, conflitos regionais e incertezas políticas internacionais afetam a confiança dos investidores e os fluxos de capital para os mercados periféricos da Zona Euro.
Em 2025, a incerteza gerada pelas políticas tarifárias da administração norte-americana foi um fator de volatilidade para os mercados globais, embora o PSI tenha resistido bem, terminando o ano com uma valorização próxima dos 30%.
A exposição das empresas do índice a mercados como África, América Latina e Europa Central torna-as igualmente sensíveis a alterações nos contextos geopolíticos dessas regiões.
Como se posiciona o PSI face a outros índices europeus?
A comparação do PSI com outros índices da Zona Euro e europeus em geral é útil para contextualizar o potencial e as limitações do mercado bolsista português:
Dimensão e liquidez
O PSI é consideravelmente mais pequeno do que os grandes índices europeus. A capitalização bolsista total do índice rondava os 14,87 mil milhões de euros em setembro de 2025 (de acordo com a fact sheet da Euronext), um valor minúsculo comparativamente a índices como o CAC 40 (França), superior a 2 biliões de euros, ou o DAX (Alemanha).
Esta dimensão reduzida tem algumas implicações práticas:
- Menor liquidez, com volumes diários de negociação mais baixos;
- Maior sensibilidade a fluxos de capital externos;
- Menor representação de setores de alto crescimento, como a tecnologia.
Desempenho recente (com destaque para 2025)
Apesar das suas limitações estruturais, o desempenho do PSI em 2025 foi notável às escalas europeia e mundial.
Segundo dados do Jornal Económico e análises da XTB, o índice português valorizou cerca de 29%-30% em 2025 (o melhor ano desde 2009), superando referências como o S&P 500 norte-americano (+16,39%) e o DAX alemão.
Na Europa, apenas Espanha (+49,82%), a Grécia (+44%) e Itália (+31%) superaram a bolsa portuguesa.
A XTB, no seu «Outlook de Mercado» para 2026, destacou o “[desempenho] excecional do índice português (PSI) num contexto europeu de estagnação", atribuindo-o, em parte, à forte reavaliação de múltiplos e à melhoria da visibilidade nos negócios de algumas empresas-chave.
Os principais impulsionadores desse crescimento foram:
- O BCP: valorização superior a 90% em 2025, beneficiando da normalização das taxas de juro e da redução da dívida;
- Sonae: subida de cerca de 76%;
- Mota-Engil: crescimento de quase 70%, sustentado por um EBITDA (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation, and Amortization, ou Resultados Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações) recorde;
- Semapa: ganhos de mais de 47%.
Vantagens e limitações do PSI face aos congéneres europeus
Vantagens
- Dividend yield historicamente atrativo (cerca de 5% em 2025);
- Exposição a setores estáveis como serviços públicos e retalho alimentar;
- Mercado em consolidação, com perspetivas macroeconómicas favoráveis para Portugal em 2026;
- Menor correlação com o ciclo tecnológico global.
Limitações
- Diversificação setorial reduzida (com um domínio claro da energia e da banca);
- Menor liquidez comparativamente a índices europeus de maior dimensão;
- Ausência quase total dos setores tecnológico e da saúde;
- Concentração elevada nas 10 maiores empresas (cerca de 90% do peso total do índice).
Como aceder às ações da bolsa portuguesa através da XTB
A XTB oferece-lhe acesso a uma vasta gama de ações de empresas cotadas em Portugal e em todo o mundo. Através da plataforma xStation 5 (premiada pela DECO PROteste e eleita «Melhor App de Investimento» pela Escolha do Consumidor em 2026), é possível negociar ações e ETFs com 0% de comissão até 100.000 € de volume mensal.*
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Para concluir
O índice PSI é muito mais do que um número num ecrã, constituindo um retrato das maiores e mais líquidas empresas cotadas na bolsa de Lisboa, um reflexo da estrutura produtiva de Portugal e um instrumento essencial para quem pretende acompanhar a evolução da economia nacional.
A sua composição revela os setores mais representativos do tecido empresarial português (energia, banca, retalho, celulose e telecomunicações) e os seus critérios de seleção garantem que só as empresas com dimensão e liquidez suficientes integram este universo de referência.
Antes de tomar qualquer decisão de investimento, é fundamental conhecer bem os ativos em causa, compreender os riscos envolvidos e definir uma estratégia adequada ao seu perfil e objetivos.
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FAQ
O PSI (designado “PSI-20” até 2022, acrónimo de Portuguese Stock Index) é o principal índice bolsista de Portugal. Reúne as empresas mais representativas e líquidas cotadas na Euronext Lisboa, sendo calculado com base na capitalização bolsista ajustada pelo free float de cada constituinte.
Entre as principais empresas do PSI, destacam-se a EDP Renováveis, a EDP – Energias de Portugal, o Banco Comercial Português (BCP), a Jerónimo Martins, a Galp Energia, a REN, a Sonae, The Navigator Company, os CTT – Correios de Portugal e a NOS SGPS.
Desde a reforma de 2022, o PSI deixou de ter um número fixo de constituintes. Atualmente, o índice conta com cerca de 16 empresas cotadas na bolsa de Lisboa que cumprem os critérios de elegibilidade definidos pela Euronext, nomeadamente uma capitalização de free float mínima de 1000 milhões de euros e liquidez adequada.
O PSI é um índice de menor dimensão comparativamente aos seus pares europeus, como o CAC 40, o DAX ou o IBEX 35. A sua capitalização total rondava os 14,87 mil milhões de euros em setembro de 2025. No entanto, em termos de desempenho, o PSI registou uma valorização de cerca de 29-30% no mesmo período.
Existem várias formas de obter exposição às ações de empresas portuguesas do PSI. A mais direta é a compra de ações individuais das empresas constituintes através de uma corretora como a XTB, que oferece negociação com 0% de comissão até 100.000 € de volume mensal. Também é possível negociar CFDs sobre o índice ou investir de forma mais diversificada através de ETFs.
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