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Como os fatores económicos e geopolíticos influenciam o preço do ouro

Descubra como a inflação, as taxas de juro e as tensões geopolíticas influenciam o preço do ouro e porque é que este ativo precioso continua a ser um reflexo da confiança global.

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O ouro tem sido, desde a Antiguidade, um símbolo de riqueza e segurança. Em pleno século XXI, continua a desempenhar um papel central nos mercados financeiros, sobretudo em períodos de incerteza económica ou tensão internacional.

No entanto, o que influencia o preço do ouro? E como é que fatores como a inflação, os juros ou conflitos geopolíticos moldam a perceção de valor deste ativo?

Este artigo da XTB pretende explicar como funcionam as dinâmicas que levam à valorização ou desvalorização do ouro, ajudando os investidores a compreenderem melhor os fatores que influenciam o mercado.

Seja para investir, poupar ou negociar, perceber estas variáveis é indispensável para a tomada de decisões informadas.

Ao longo dos próximos tópicos, vamos analisar a influência do mercado global, os principais fatores económicos, o peso da geopolítica, o papel da oferta e da procura e como tudo isto se interliga com a inflação e as taxas de juro, sempre com o compromisso de apresentar uma perspetiva clara, factual e alinhada com as diretrizes da XTB.

O impacto do mercado global no preço do ouro

O ouro é frequentemente considerado um “porto seguro” em momentos de turbulência económica. A sua valorização ou desvalorização não depende apenas da sua escassez natural, mas também do estado de saúde da economia global e da perceção de risco por parte dos investidores.

Num cenário cada vez mais interligado, qualquer evento macroeconómico relevante (como um abrandamento nos Estados Unidos ou uma crise cambial na China) pode ter impacto imediato no preço do ouro nos mercados internacionais.

A natureza do ouro como ativo de refúgio

Historicamente, o ouro tende a valorizar-se quando os mercados acionistas entram em queda ou quando há aumento do risco sistémico. Isto acontece porque os investidores procuram proteger o seu capital em ativos menos voláteis ou não correlacionados com o sistema financeiro tradicional.

De entre os motivos que reforçam essa procura, destacam-se os seguintes:

  • Desvalorização das moedas fiduciárias (sobretudo do dólar americano, em que o ouro é geralmente cotado);
  • Crises financeiras ou instabilidade nos mercados de ações e obrigações;
  • Aumento da perceção de risco (p. ex.: pandemias, conflitos armados ou falências bancárias).

A influência das políticas monetárias internacionais

As decisões dos grandes bancos centrais, como a Reserva Federal (Fed) e o Banco Central Europeu (BCE), têm impacto direto nos mercados, incluindo o do ouro.

Em períodos de expansão monetária (por exemplo, através de taxas de juro baixas ou programas de compra de ativos), o ouro tende a beneficiar, pois o custo de oportunidade de o deter (em vez de investir noutros ativos com rendimento) diminui.

Já quando os bancos centrais aumentam as taxas de juro ou adotam políticas mais restritivas, o ouro pode perder atratividade a curto prazo, uma vez que não gera juros e torna-se menos competitivo em relação a ativos que oferecem rendimento fixo.

A relação com o dólar americano

Como o ouro é cotado em dólares norte-americanos, a força relativa desta moeda no mercado global tem um papel central na sua valorização:

  • Dólar forte: torna o ouro mais caro para os investidores fora dos EUA, reduzindo a procura;
  • Dólar fraco: aumenta o poder de compra dos demais países e tende a impulsionar o preço do ouro.

Em suma, o preço do ouro é sensível às tensões económicas globais, à política monetária e à força do dólar, funcionando muitas vezes como um barómetro da confiança (ou desconfiança) dos mercados.

Os fatores económicos que influenciam o preço do ouro

O preço do ouro é fortemente influenciado por variáveis macroeconómicas, que atuam, direta ou indiretamente, sobre a perceção de risco, a procura por ativos de refúgio e o comportamento dos investidores globais.

A compreensão destas dinâmicas permite tomar decisões mais informadas quando se pretende investir neste ativo na XTB.

1. Política monetária e taxas de juro

Como vimos anteriormente, as decisões dos bancos centrais, sobretudo da Fed (EUA) e do BCE (Europa), têm um enorme impacto nos mercados. Eis como:

  • Taxas de juro mais altas: reduzem a atratividade do ouro, pois elevam o rendimento de ativos como obrigações e depósitos. O custo de oportunidade de deter ouro sobe;
  • Taxas de juro mais baixas: favorecem o ouro, já que o retorno de ativos concorrentes desce, tornando-o relativamente mais interessante.

Exemplo prático: entre 2020 e 2021, com juros historicamente baixos e políticas monetárias expansionistas, o ouro atingiu máximos históricos próximos de 2000 USD por onça.

2. Inflação

A inflação é, historicamente, um dos principais motores do preço do ouro. Quando os preços sobem de forma generalizada e persistente, o ouro tende a valorizar-se:

  • Porquê? Porque funciona como uma proteção (hedge) contra a perda de poder de compra;
  • E como é que o mercado reage? Os investidores compram ouro para preservarem valor real, o que, por sua vez, aumenta a procura.

A relação entre inflação e ouro é historicamente próxima, embora não automática: o impacto depende também das expectativas futuras, das respostas dos bancos centrais e da confiança nas moedas fiduciárias.

3. Valor do dólar americano

Tal como supra referido, sendo o ouro cotado globalmente em USD, a relação entre ambas as variáveis é crítica:

  • Quando o dólar valoriza, o ouro fica mais caro para os compradores internacionais, reduzindo a sua procura;
  • Quando o dólar desvaloriza, o ouro torna-se mais acessível globalmente, o que estimula a sua valorização.

É comum observar uma correlação negativa entre o ouro e o dólar: quando um sobe, o outro tende a cair.

4. Crescimento económico global

O ritmo da economia mundial também tem impacto:

Nestes cenários, o ouro atua como uma espécie de “seguro” contra crises económicas profundas ou quedas nos mercados acionistas.

A influência da geopolítica no preço do ouro

Além das variáveis económicas, o ouro é extremamente sensível ao contexto geopolítico internacional.

Sempre que surgem tensões, conflitos ou instabilidade política em regiões estratégicas, os mercados reagem e o ouro, enquanto ativo de refúgio, tende a beneficiar dessa turbulência.

Conflitos e instabilidade internacional

O ouro é frequentemente procurado quando há ameaças à estabilidade global, nomeadamente:

  • Conflitos armados (ex.: guerras no Médio Oriente ou invasões militares);
  • Tensões diplomáticas entre grandes potências (ex.: EUA vs. China);
  • Crises energéticas ou interrupções nas cadeias de abastecimento;
  • Golpes de Estado, terrorismo ou instabilidade política regional.

Nestes momentos, muitos investidores abandonam ativos de risco (ações, moedas emergentes) e transferem capital para instrumentos considerados mais seguros, como o ouro.

Quando a incerteza cresce, aumenta também a procura por ativos que mantêm valor, independentemente da conjuntura política. Nestes contextos, o ouro responde com valorização.

O papel dos grandes centros de decisão

A geopolítica não se limita a guerras ou conflitos. Também diz respeito a:

  • Sanções económicas impostas por países ou blocos (e.g. UE, EUA);
  • Políticas comerciais protecionistas;
  • Mudanças nas relações diplomáticas e nos acordos multilaterais.

Estes fatores têm impacto direto nos mercados cambiais, nas matérias-primas e na confiança global, o que afeta o apetite pelo ouro.

O ouro como proteção contra riscos sistémicos

O ouro também funciona como um “seguro” contra:

  • Ruturas geopolíticas imprevisíveis;
  • Choques petrolíferos;
  • Quebras de confiança nos governos ou sistemas financeiros.

Por tudo isto, o ouro continua a ser uma aposta frequente dos investidores institucionais em cenários de tensão prolongada, não apenas como ativo especulativo, mas também como instrumento de preservação de valor a longo prazo.

Fatores globais que afetam a oferta e a procura de ouro

Barras e moedas de ouro
Zlaťáky.cz/Pexels

Tal como qualquer outro ativo cotado nos mercados, o preço do ouro é determinado pela lei da oferta e da procura.

No entanto, ao contrário dos ativos financeiros, que são criados por instrumentos bancários, o ouro é um recurso físico e limitado, o que o torna especialmente sensível a perturbações na sua cadeia de produção e distribuição.

Oferta limitada e concentração geográfica

A extração de ouro depende de uma indústria complexa e cara. Eis alguns pontos críticos a considerar:

  • A produção de ouro está concentrada em poucos países, como a China, a Rússia, a Austrália e o Canadá. Conflitos, instabilidade política ou restrições ambientais nestes locais podem afetar a oferta global;
  • O processo de extração é lento e dispendioso, o que significa que o aumento da procura não se traduz rapidamente em aumento da oferta;
  • Muitos países enfrentam atualmente pressões ambientais e sociais crescentes para limitarem a mineração, o que pode restringir ainda mais a produção futura.

Uma queda abrupta na produção ou interrupções logísticas (ex.: greves, conflitos, sanções) pode criar desequilíbrios na oferta e levar a subidas rápidas no preço do ouro.

Procura global diversificada

A procura por ouro é multifacetada e inclui:

  1. Bancos centrais: muitos bancos centrais, sobretudo em economias emergentes, compram ouro para diversificarem as reservas cambiais e reduzirem a exposição ao dólar. Um aumento nessa atividade pode pressionar o preço do ouro;
  2. Indústria de joalharia: representa uma parcela significativa da procura de ouro, sobretudo em países como a Índia e a China, onde o ouro é visto como símbolo de riqueza e segurança;
  3. Investidores individuais e institucionais: fundos cotados em bolsa (ETFs), fundos soberanos e investidores de retalho compram ouro como uma forma de proteção contra a inflação, a desvalorização cambial ou crises financeiras;
  4. Uso tecnológico: embora em menor proporção, o ouro também é utilizado em eletrónica, medicina e noutras indústrias, contribuindo para uma procura constante e estável.

Interação entre oferta e procura

Em momentos de instabilidade, é comum que:

  • A procura aumente (motivada por medo ou procura de refúgio);
  • A oferta se mantenha estável ou contraída (devido a limitações físicas e logísticas).

Este desfasamento contribui para a valorização do ouro nos mercados.

A interação entre inflação, juros e geopolítica no preço do ouro

Embora cada um destes fatores influencie o ouro de forma independente, é na interação entre eles que, muitas vezes, ocorrem as maiores oscilações no mercado.

A leitura do preço do ouro exige, assim, uma visão integrada da economia e da política internacional.

Inflação e taxas de juro: uma relação inversa que afeta o ouro

Em teoria económica, quando a inflação aumenta, os bancos centrais tendem a elevar as taxas de juro para controlarem os preços. Este movimento tem efeitos contrários sobre o ouro:

  • A inflação elevada tende a impulsionar o preço do ouro, já que os investidores procuram proteger-se da perda de poder de compra;
  • O aumento das taxas de juro, por sua vez, torna o ouro menos atrativo, pois eleva o rendimento de ativos concorrentes, como obrigações e depósitos.

No entanto, se os mercados anteciparem que os bancos centrais não responderão com firmeza à inflação (por exemplo, evitando subir as taxas de juro por receio de abrandar a economia), o ouro poderá continuar a valorizar-se.

Isto acontece porque os investidores começam a perder confiança na capacidade das moedas fiduciárias de manter o seu poder de compra, recorrendo ao ouro como forma de proteção contra a desvalorização monetária.

A geopolítica como catalisador

A componente geopolítica amplia frequentemente os efeitos da inflação e das taxas de juro. Eis como:

  • Num cenário de inflação elevada e tensões geopolíticas, o ouro tende a valorizar-se mais rapidamente, pois os investidores veem nele um duplo escudo: contra a perda do valor do dinheiro e contra riscos sistémicos;
  • Quando há redução das taxas de juro e aumento do risco global (por guerras, sanções, crises diplomáticas), o ouro pode subir fortemente, mesmo sem inflação visível.

Exemplo de convergência de fatores

Um bom exemplo desta interação ocorreu em 2022–2023:

  • A guerra na Ucrânia elevou o risco geopolítico global;
  • A inflação disparou em várias economias desenvolvidas;
  • Os bancos centrais hesitaram entre conter a inflação e apoiar o crescimento económico.

Neste contexto, o ouro apresentou um desempenho sólido, evidenciando como a confluência de fatores pode exercer pressão compradora sobre este metal precioso.

O preço do ouro como reflexo da economia global e da geopolítica

O comportamento do ouro nos mercados é, em muitos aspetos, um espelho da confiança mundial.

Quando os investidores acreditam na estabilidade económica, política e monetária, o ouro tende a perder protagonismo, mas quando surgem sinais de instabilidade económica, fiscal ou geoestratégica, o ouro volta a ocupar um lugar central nas decisões de investimento.

Um barómetro da incerteza

Ao longo da história recente, é possível observar uma tendência clara:

  • Em tempos de recessão, inflação descontrolada, crises bancárias ou conflitos armados, o ouro valoriza-se;
  • Quando o ambiente é de crescimento económico, juros elevados e estabilidade geopolítica, o ouro tende a estabilizar ou corrigir.

Por isso, muitos analistas consideram o preço do ouro um dos melhores indicadores indiretos da perceção global de risco.

Investidores institucionais e gestão de risco

Os grandes fundos, bancos centrais e investidores profissionais utilizam o ouro como:

  • Reserva de valor em carteiras diversificadas;
  • Proteção contra riscos sistémicos;
  • Hedge contra a inflação ou desvalorização cambial;
  • Posição estratégica em momentos de viragem do ciclo económico.

Na prática, as movimentações no preço do ouro dizem-nos tanto sobre o próprio metal quanto sobre o estado de espírito dos mercados globais.

Considerações finais

O ouro continua a ser um ativo relevante no contexto financeiro global, não apenas pelo seu valor intrínseco, mas também pela forma como reflete as dinâmicas entre a economia e a geopolítica.

A sua cotação é moldada por múltiplos fatores, da inflação às taxas de juro, passando por conflitos internacionais, políticas monetárias e alterações na oferta e na procura mundiais.

O domínio destes elementos é imprescindível para quem pretende investir, poupar ou negociar ouro de modo informado.

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FAQ

O ouro é considerado um ativo de refúgio. Em momentos de instabilidade económica ou geopolítica, os investidores procuram segurança e recorrem ao ouro para protegerem o seu capital.

A inflação elevada tende a impulsionar o preço do ouro, já que os investidores o utilizam como proteção contra a perda de poder de compra das moedas fiduciárias.

Quando as taxas de juro sobem, o ouro perde competitividade face a ativos com rendimento. Quando descem, o custo de oportunidade de deter ouro diminui, favorecendo a sua procura.

Conflitos, sanções, crises diplomáticas ou instabilidade regional aumentam a perceção de risco global. Nestes cenários, os investidores recorrem ao ouro como proteção, o que faz com que o preço do metal suba.

Aos investidores, bancos centrais, gestores de risco e a qualquer pessoa que tenha interesse em proteger o seu capital face à volatilidade dos mercados. O ouro é um barómetro da confiança global.

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